
O carro segue bem devagar pela estrada de terra. Ao redor, uma paisagem de savana, com árvores espalhadas e capim alto até onde a vista alcança. Todos observam atentos. De repente… Uma girafa aparece entre as árvores! Essa é a emoção de participar de um safári, um passeio para observar animais selvagens na natureza.
Todos os dias, milhares de turistas fazem safáris em países africanos, dirigindo o próprio carro ou acompanhados por um guia em áreas protegidas, como o famoso Parque Nacional de Kruger, na África do Sul. Zebras, hipopótamos, antílopes, girafas… A cada curva, um bicho diferente pode aparecer, longe ou bem perto. Às vezes, ao lado do carro! Todos em seus hábitats naturais, enfrentando os desafios da vida selvagem.
Entre tantos animais, cinco são os mais procurados pela maioria dos visitantes: o elefante-africano, o búfalo-africano, o rinoceronte, o leão e o leopardo. Juntos, eles são conhecidos como “os cinco grandes”. Mas por que justamente esses cinco?
A resposta nos leva a um período triste da história da África. No século 19, grande parte do continente era dominada por países europeus, como Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha. Naquela época, muitos colonizadores viajavam pela África para caçar animais por diversão. Ter um tapete de couro de zebra, a cabeça de um leão ou as presas de um enorme elefante decorando a casa era considerado um símbolo de riqueza e prestígio.
Foi nesse cenário histórico e muito triste que surgiu a expressão “os cinco grandes”. Eles não são os cinco maiores animais da África. Afinal, a girafa e o hipopótamo são maiores do que um búfalo, um leão ou um leopardo, mas não fazem parte dessa lista. Os caçadores diziam que os “cinco grandes” eram os animais mais difíceis e perigosos de caçar a pé, devido à sua força, velocidade ou comportamento imprevisível.
A caça dessas e de muitas outras espécies foi tão intensa que suas populações diminuíram drasticamente. Em algumas regiões, chegaram a desaparecer. Mas o tempo passou. Os países africanos conquistaram sua independência, muitas áreas protegidas foram criadas, e o turismo ecológico cresceu.
Hoje, milhares de pessoas visitam essas regiões não para matar animais, mas para observá-los na natureza. Assim, “os cinco grandes” ganharam um novo significado. O que antes lembrava a caça esportiva passou a simbolizar a importância de proteger a vida selvagem.
O maior troféu de um safári já não é levar um animal morto para casa, mas voltar com boas memórias de uma bela aventura, lindas fotografias e vídeos, e a certeza de que esses gigantes continuam vivendo em seu ambiente natural.

Henrique Caldeira Costa,
Departamento de Zoologia
Universidade Federal de Juiz de Fora
Sou biólogo e muito curioso. Desde criança tenho interesse em pesquisar os seres vivos, especialmente o mundo animal. Vamos fazer descobertas incríveis aqui!
Matéria publicada em 10.09.2026