
Você deve ter acompanhado as notícias sobre o programa Artemis, liderado pela NASA, cujo objetivo é implantar uma presença humana sustentável na Lua até 2030 e usar a experiência como trampolim para Marte. O primeiro passo foi em 2022, com a missão Artemis I, sem tripulação, dando uma volta em torno do nosso satélite natural. Em 2026, a missão Artemis II foi concluída com um sobrevoo tripulado ao redor da Lua após mais de 50 anos. A Artemis III, prevista para 2027, planeja pousar. O plano é enviar a primeira mulher e o próximo homem ao polo sul lunar, região rica em gelo d’água, um material estratégico para suporte de vida e geração de combustível no satélite.
Os objetivos científicos da missão Artemis incluem a instalação de sismômetros (aparelhos que analisam o interior do corpo celeste) para mapear o lado oculto da Lua, perfurações na crosta e estudos para entender a grande diferença entre os dois hemisférios lunares. Do ponto de vista comercial, a intenção é explorar, mais adiante, recursos como hélio-3 (considerado o combustível do futuro), minerais raros e estabelecer uma economia espacial sustentável, com participação de empresas privadas.
Há bilhões de anos, a Lua era como um corpo aproximadamente esférico de massa pastosa, que, quando se solidificou, teve os materiais mais pesados que a constituíam, como o ferro, afundando em direção ao seu centro, e os materiais mais leves, como as rochas, subindo para a sua superfície. Ela pode até parecer imóvel e silenciosa em comparação com a Terra, que possui movimentos perceptíveis das placas tectônicas, além da atividade vulcânica. Mas já foi muito ativa, e, embora tenhamos informações importantes sobre ela, alguns detalhes de sua estrutura interna ainda são um mistério que os cientistas tentam desvendar.
Já sabemos, por exemplo, que a crosta rochosa lunar pode ser dividida em duas partes, com espessuras bem diferentes. No lado voltado para a Terra, ela tem aproximadamente 50 quilômetros de espessura, enquanto no lado oposto (ou oculto) é bem mais grossa, chegando a 100 quilômetros. Ainda não sabemos o motivo exato dessa característica da crosta do outro lado, tampouco como é a sua cobertura de poeira lunar, como são seus grandes canais e elevações, e, claro, suas famosas crateras.
Logo abaixo da crosta, o manto lunar também é composto por rochas, sendo a camada mais espessa da Lua, indo até uma profundidade de mais de mil quilômetros. É sólido em sua maior parte, mas a zona mais próxima do núcleo lunar não é totalmente solidificada. Alguns abalos sísmicos lunares podem se originar ali.
Como na Terra, o núcleo da Lua tem composição essencialmente de ferro, com um pouco de níquel e enxofre, e está dividido em duas partes: um núcleo externo fluido muito viscoso, o que dificulta sua movimentação, seguido de um núcleo interno sólido. Esse núcleo interno também tem sua esquisitice: ocupa uma porcentagem bem pequena do total da Lua.

Ainda falta muito para descobrir sobre o nosso satélite, e as próximas missões vão coletar uma grande quantidade de dados para os cientistas poderem melhorar nosso conhecimento sobre ele. E você, tem alguma pergunta sobre a Lua que ainda não foi respondida? Conta pra gente!

Eder Molina,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Universidade de São Paulo
Sou paulista, e já nem lembro quando nasci… Sempre fui curioso sobre o porquê das coisas, e desde criança tinha meu clubinho da ciência. Hoje sou professor de Geofísica e continuo xereta e buscando aprender muitas coisas, principalmente sobre a Terra e o Sistema Solar.
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Matéria publicada em 16.06.2026
Benjamin Sobreira
Ameeeeeeeiiii essa edição!!!!!!!!
Benjamin Sobreira
Ela fala sobre muuuuiiita coisa