Para entender como nós, humanos, influenciamos e também somos influenciados pelas mudanças no planeta, é muito importante conhecer o oceano, já que ele cobre mais de dois terços da superfície da Terra. Toda essa água, junto com a atmosfera, funciona como uma grande máquina que ajuda a controlar o clima.
Você provavelmente já ouviu falar dos cinco oceanos: Atlântico, Pacífico, Índico, Ártico e Antártico. É no oceano Pacífico que acontece o famoso fenômeno chamado El Niño. Esse fenômeno acontece quando as águas superficiais do oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Uma elevação de meio grau já desencadeia um El Niño. Pode parecer pouco, mas esse aquecimento já é suficiente para provocar mudanças no clima em várias partes do mundo. Quando o aquecimento atinge ou ultrapassa dois graus, o fenômeno recebe o nome de Super El Niño.
Durante o fenômeno, os ventos que normalmente ajudam a espalhar o calor pelo Oceano Pacífico ficam mais fracos. Assim, a água da superfície acaba esquentando mais do que deveria. O contrário também pode acontecer: ventos fortes demais fazem a água esfriar além do normal e são responsáveis pelo La Niña, outro fenômeno climático importante.


O nome El Niño surgiu há muitos anos. Foi dado por pescadores do Peru e, na tradução do espanhol para o português, significa “o menino”. Eles perceberam que as águas do Pacífico costumavam ficar mais quentes perto do Natal e deram esse nome em homenagem ao menino Jesus.
As mudanças climáticas, que já são uma realidade no planeta, podem deixar o El Niño ainda mais intenso. Com o aumento da poluição e da queima de combustíveis fósseis, a Terra está ficando mais quente, e os oceanos também. Em 2026 e 2027, é grande a possibilidade de um novo El Niño acontecer, correndo o risco de se transformar em um Super El Niño, por conta do aquecimento excessivo das águas do Pacífico. Então, é importante nos prepararmos.
No Brasil, os efeitos costumam ser diferentes em cada região. No Norte e Nordeste, geralmente chove menos e podem acontecer secas intensas. Já no Sul, a tendência é chover mais do que o normal, aumentando o risco de enchentes.
Algumas pessoas acabam sofrendo mais com esses problemas, principalmente quem vive em locais com pouca infraestrutura ou com dificuldades no acesso à água e à moradia segura. Por isso, cientistas, cidades e governos precisam agir juntos, pensando em maneiras de proteger a população e diminuir os impactos dos eventos climáticos extremos.

Tássia Oliveira Biazon
Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano
Universidade de São Paulo

Monique Torres
Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano
Universidade de São Paulo

Matéria publicada em 23.06.2026