
Assim como acontece com os seres humanos, muitos filhotes de mamíferos aquáticos, como baleias e golfinhos, precisam aprender várias coisas antes de se tornarem adultos independentes. E sabe quem são as professoras desse grande oceano? As mães! Desde as baleias até os peixes-bois, cada espécie tem sua maneira específica de ensinar os filhotes.
Os golfinhos geralmente vivem em grupos que podem variar de poucos indivíduos a centenas de animais. Mesmo em grupos grandes, eles são muito bem organizados. Em algumas espécies de golfinhos, cada animal tem seu próprio assobio, que é quase como um nome ou uma assinatura. Os filhotes aprendem com as mães a reconhecer seu chamado, e também criam a sua própria assinatura. Além disso, ao observarem atentamente sua mãe, eles descobrem como caçar, como evitar perigos e até como brincar. Sim, as brincadeiras fazem parte da aprendizagem e ajudam os golfinhos filhotes a ficarem fortes e ágeis.
As baleias-mães também ensinam a próxima geração. Algumas percorrem longas rotas migratórias, atravessando oceanos ao lado de seus filhotes. Durante a viagem, os pequenos aprendem por onde ir, como se guardassem um mapa na memória. Certas espécies, como a baleia-jubarte, ainda transmitem sons que parecem canções e fazem parte da comunicação desses gigantes, importantes principalmente para comportamentos essenciais para a manutenção da espécie, como a reprodução.
Nos locais onde vivem as focas e os leões-marinhos, outro desafio aparece: como encontrar a própria mãe no meio de centenas de animais parecidos? Audição e olfato entram em cena! Cada mãe tem um chamado e um odor individuais, sendo então facilmente reconhecida por seus filhotes. Com o passar do tempo, e observando suas mães, os filhotes descobrem como nadar, mergulhar e se virar nas águas do oceano.
A mamãe peixe-boi também tem diversos cuidados com sua prole, que pode permanecer com ela por mais de dois anos. A mãe nada devagar, levando seu filhote até a superfície para ganhar ritmo de respiração. Depois de algum tempo, ela passa a nadar ao lado dele, mostrando rotas seguras, pontos de água doce, além de onde e como encontrar alimentos. Um bom exemplo de dedicação é a peixe-boi Xica. Ela cresceu sob os cuidados humanos e, depois, foi recolhida pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA/ICMBio), em Itamaracá. Mesmo crescendo em um ambiente artificial, ela conseguiu se tornar mãe! Desenvolveu comportamentos naturais e foi capaz de transmiti-los ao seu filhote, que recebeu todo o cuidado necessário para ser liberado na natureza, contribuindo para o aumento da população de peixes-bois-marinhos. A aventura de Xica, registrada no livro do ICMBio Sou Xica – O peixe-boi da Praça do Derby, é uma história sobre cuidado, ciência e conservação.
Quando uma mãe do oceano ensina seu filhote, ela não transmite apenas habilidades: ela transfere conhecimentos e o auxilia na luta pela sobrevivência na natureza. Proteger os animais marinhos é garantir que essa transmissão de conhecimento tão importante continue acontecendo. E você também pode ajudar: aprendendo sobre o oceano e compartilhando histórias como essa.

Tássia Oliveira Biazon
Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano
Universidade de São Paulo

Karen Lucchini
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA/ICMBio)

Matéria publicada em 10.09.2026