Uma história de lavar as mãos

Inacio Felipe Semmelweis formou-se em medicina em Budapeste, sua cidade natal, a capital da Hungria. Em 1846, aos 28 anos, mudou-se para Viena, na Áustria, para exercer a sua profissão na maternidade do Hospital Geral de Viena, na Áustria. Ele era médico cirurgião e obstetra, um especialista em ajudar as mulheres a terem seus bebês. Estava muito animado com o novo trabalho, mas o clima no hospital era tenso: muitas mães estavam perdendo a vida por conta de uma febre misteriosa… Entra em cena um médico detetive!

Ilustração Mariana Massarani

Logo que chegou para trabalhar na maternidade do Hospital Geral de Viena, Semmelweis  percebeu que as coisas não iam bem. As mulheres que tinham acabado de dar à luz seus bebês traziam no rosto uma expressão de medo e tinham febre, suas bochechas eram vermelhas como brasa. Era a febre puerperal, uma doença que levava à morte muitas mães e, por vezes, seus bebês.

O jovem Semmelweis fazia o que podia para aliviar o sofrimento daquelas mães, segurava as mãos delas, secava o suor de suas testas, mas não havia como ajudá-las. Na sua cabeça, porém, uma pergunta não parava de martelar: qual seria a origem daquela febre?

Falava-se muitas coisas. As crendices populares  até relacionavam a doença com uma praga dos céus, já que as maternidades atendiam principalmente mulheres pobres, solteiras, aquelas que não podiam pagar uma parteira particular, aquelas com as quais quase ninguém se importava.

Gloria Kaiser
Historiadora e pesquisadora austríaca
Membro correspondente da Academia de Letras da Bahia

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