Um príncipe na Mata Atlântica

Aceita um convite para uma expedição científica? Ah, claro, preciso informar o destino! É a Mata Atlântica! Topa? Antes de responder, saiba que, para participar, você vai precisar fazer uma viagem no tempo de, mais ou menos, 200 anos! Tem coragem? Então, pegue os equipamentos que considerar essenciais, coloque-os na mochila e corra para montar na sua mula imaginária. Mula? Sim, é que hoje temos uma aventura marcada com o príncipe Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuwied! O nome é complicado e compriiido, mas a história é incrível!

Um príncipe na Mata Atlântica
Pintura do príncipe alemão Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuwied e o indígena Guack.
Pintura de Johann Heinrich Richter (1803–1845)/Wikimedia Commons

Solte a imaginação e tente voltar no tempo! Cidades que hoje são enormes eram pequeninos vilarejos. Em vez de prédios arranhando os céus, árvores gigantes é que pareciam tocar as nuvens. No lugar do asfalto, um longo tapete de folhas caídas. Ao fundo, som de passarinhos…

Você já visualizou o cenário, tenho certeza! E precisa saber que nele não faltavam esconderijos para os mais diversos animais, como onças-pintadas, tamanduás narigudos e sonolentos bichos-preguiças. Naquela época, não é difícil supor, ainda não existiam internet, celulares, máquinas fotográficas, televisão e nem mesmo luz elétrica…

Espere um pouco! Se ninguém tinha como sair por aí tirando fotos de flores, borboletas e cachoeiras, como é possível saber sobre a Mata Atlântica de 200 anos atrás? Excelente questão! Para nossa sorte, alguns aventureiros, observadores e estudiosos da natureza daquele tempo deixaram tudo documentado em belíssimos livros, com muitos desenhos, pinturas, gravuras e registros escritos de nossas paisagens, com plantas, animais e povos. Chamamos esses desbravadores da natureza que passaram por aqui de “naturalistas”, e boa parte deles vinha de outros países.

A viagem do príncipe

Foi justamente esse o caso de um príncipe alemão, o Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuwied. Em 1820, ele publicou o livro Viagem ao Brasil, descrevendo suas descobertas e peripécias de quando percorreu a Mata Atlântica. Ele saiu do Rio de Janeiro, atravessou o Espírito Santo, algumas áreas em Minas Gerais, conheceu o sul da Bahia, e encerrou sua jornada em Salvador. Tudo isso entre os anos de 1815 e 1817. Na época, o príncipe tinha pouco mais de 30 anos de idade.

Suas aventuras começaram ainda no caminho, em alto-mar, já que o príncipe e os demais tripulantes da embarcação enfrentaram turbulentas tempestades. Ainda assim, ele teve oportunidade de admirar diversos animais, como peixes-voadores, golfinhos, aves marinhas e águas-vivas conhecidas como caravelas.

Quase chegando ao Brasil, o príncipe já se rendia aos encantos das paisagens da nossa costa, impressionado pelos tamanhos e formatos das montanhas de longe avistadas, como o Corcovado e o Pão-de-Açúcar, considerados “cartões-postais” do Rio de Janeiro até hoje.

Acompanhado de alguns membros da tripulação, o príncipe tentou descer e desbravar uma das belas ilhas a bordo de um barquinho. Mas, para o azar deles, no meio do caminho, começaram a afundar. Na falta de baldes, o príncipe e seus companheiros tiveram que usar as próprias botinas para remover a água que entrava. Que perrengue!

João Victor A. Lacerda
Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA)

Matéria publicada em 04.05.2026

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Comentários (3)

  1. 3ª ano A da EM Profª Geni Leite da SIlva em Birigui -SP

    Amamos o artigo sobre a Mata Atlântica, só não gostamos de ver na pintura o príncipe com uma arara na mão, pois parece que ele a machucou e como defendemos todos os animais, ficamos triste com este fato.

  2. gostei bastante do artigo,porque ele e muito bem estruturado e informativo

  3. Alunos - 3ºB - Escola Dom

    Olá!
    Somos a turma do 3º ano B da Escola Dom, em Anápolis, Goiás.
    Estamos aprendendo sobre o gênero textual carta ao leitor e escolhemos o seu artigo sobre a Mata Atlântica para nossa pesquisa.
    Gostamos muito da leitura e aprendemos várias informações importantes sobre esse bioma tão rico e especial. O texto foi muito interessante e nos ajudou a compreender melhor a importância da preservação da natureza.
    Porém, gostaríamos de compartilhar uma observação. Na pintura apresentada no artigo, vimos um príncipe segurando uma arara. Isso nos deixou um pouco tristes, pois parece que a ave está sendo machucada. Como defendemos e respeitamos todos os animais, ficamos sensibilizados com essa imagem.
    Agradecemos pela experiência de leitura e por nos ensinar mais sobre a Mata Atlântica. Ficaremos felizes se você puder responder à nossa carta.

    Abraços,

    Turma do 3º Ano B
    Escola Dom – Anápolis (GO)

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