
Você já passou pela experiência de ouvir uma música e uma parte dela, geralmente o refrão, ficar “grudada” na sua cabeça? Dia e noite parece que há uma voz cantando aquela música dentro da sua mente, mesmo sem você mexer a boca. É isso que chamamos de “música chiclete”. Muitas músicas são produzidas justamente para serem memoráveis, tipo os jingles – músicas criadas para representar uma marca. A indústria musical parece entender um pouquinho de neurociências também, não acha? Mas, afinal, por que isso acontece?
Existem alguns motivos. Quando ouvimos uma música que não “desgruda”, diferentes sistemas do cérebro entram em ação, como a memória de trabalho, a memória de longa duração, além de processos relacionados à atenção e à imaginação musical. Quanto mais ouvimos uma música, mais o cérebro se torna eficiente em reconhecer sua melodia, tornando mais fácil recuperá-la da memória.
Mas, mesmo quando a música para de tocar, como continuamos sendo capazes de “ouvi-la” mentalmente, como se estivéssemos cantando por dentro? Isso acontece porque a memória de trabalho mantém essa informação ativa por meio de um processo conhecido como ensaio subvocal, fazendo com que a música permaneça “tocando” na nossa cabeça.
E a história não para por aí! Quanto mais curto e marcante for o refrão, quanto mais simples e repetitiva for a melodia e quanto mais envolvente for o ritmo, maior a chance de se tornar uma “música chiclete”.
Alguns cientistas também sugerem que essas músicas podem fazer parte das nossas memórias autobiográficas. Isso significa que uma canção pode ficar associada a momentos específicos da nossa vida. Assim, ao ouvi-la novamente ou ao apenas lembrarmos dela, conseguimos reviver lembranças e emoções que estavam armazenadas na memória de longa duração, mesmo que aquela música já tenha saído das paradas de sucesso há muito tempo.
É justamente essa combinação entre repetição, memória e o desejo quase automático de cantar, ainda que apenas mentalmente, que faz algumas músicas parecerem impossíveis de esquecer.
E você? Tem alguma música tocando aí na sua cabeça agora?

Priscilla Oliveira Silva Bomfim,
Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação e Extensão em Neurociências (NuPEDEN)
Universidade Federal Fluminense
Sou pesquisadora apaixonada pelo cérebro e aqui vamos conversar sobre como este órgão é fascinante e controla tudo na nossa vida. Vem comigo?
Matéria publicada em 10.09.2026