A lua e o beijo

Um tipo de impacto diferente do que resultou na formação da Lua terrestre pode ser a origem de outras luas.

Foto NASA/JHUAPL/SwRI

Aqui vai um texto para apaixonados… apaixonados pelo Sistema Solar! Você já sabe que a Terra tem um único satélite natural, a Lua. Ela apresenta um tamanho bem grande quando comparado ao tamanho do nosso planeta. Mas qual a explicação para a formação da Lua?  Tudo começa com um “grande impacto” no início da existência da Terra, há 4,5 bilhões de anos, que teria remodelado completamente a superfície e grande parte do interior do planeta. Parte desse material deu origem à Lua, à nossa Lua!

Mas sabia que corpos celestes encontrados além de Netuno, que fica na oitava posição do Sistema Solar, também têm satélites muito grandes? Esse é o caso do planeta-anão Plutão e de outros planetas-anões, como Eris, Haumea e Makemake. Será que suas luas também surgiram após um “grande impacto”? 

Parece que não, e por um motivo simples: a composição dos planetas-anões é muito diferente da composição do nosso planeta. Por isso, um impacto sobre eles como o imaginado para a Terra teria consequências também diferentes. Uma boa forma de investigar como esses outros satélites surgiram é usando informações do planeta-anão melhor conhecido até o momento: Plutão!

Estudos recentes realizados para entender a formação da maior lua de Plutão, Caronte, revelaram que o tipo de colisão que pode ter gerado a lua de Plutão é bem diferente do que gerou a nossa Lua. E esse impacto foi apelidado de “beijo e captura”. 

Acontece assim: dois corpos se chocam de maneira não tão catastrófica como o “grande impacto”, e permanecem unidos por algum tempo, assumindo um formato parecido com o de um boneco de neve ou de um beijo. Depois, separam-se, com o corpo menor começando a orbitar ao redor do corpo maior. Além disso, podem restar alguns fragmentos do choque e separação, que poderiam dar origem a luas menores, como foi no caso de Plutão, que tem cinco luas! 

Nesse modo de produzir luas, tanto o planeta quanto o satélite são pouco alterados em seu interior durante o choque (ou o “beijo”), mas sua superfície é bastante retrabalhada após a separação, e isso explica muitas das feições observadas em Plutão e Caronte. Agora, uma curiosidade: esses dois corpos são formados por rocha e gelo, mas, em consequência do choque, pode ter surgido (uau!) um oceano subterrâneo em Plutão. Essa informação foi sugerida pelos resultados obtidos pela exploração de Plutão com a sonda New Horizons, em 2015.

Por curiosidade, qual dos modelos você acha mais interessante para a formação de um satélite natural: “grande impacto”, como o que formou a Lua terrestre; ou o de “captura e beijo”, como o que pode ter formado a lua de Plutão, Caronte?


eder_molina

Eder Molina
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Universidade de São Paulo

Sou paulista, e já nem lembro quando nasci… Sempre fui curioso sobre o porquê das coisas, e desde criança tinha meu clubinho da ciência. Hoje sou professor de Geofísica e continuo xereta e buscando aprender muitas coisas, principalmente sobre a Terra e o Sistema Solar.

Matéria publicada em 24.03.2025

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