Organização para ninguém botar defeito!

Tem gente que adora organizar as coisas. Você é dessas pessoas? Consegue, por exemplo, fazer listas daquilo que gosta? Suas brincadeiras favoritas? Músicas? Tipos de comida? Tente fazer uma lista e organizar, por assunto, as suas preferências. Escreva as brincadeiras uma debaixo da outra, as músicas também, as comidas idem… Logo, logo você não terá uma lista, mas uma tabela de tudo o que gosta! Pois, uma tabela muito famosa foi criada de maneira parecida há 150 anos. Nela, o cientista russo Dmitri Mendeleev organizou todos os elementos químicos conhecidos até aquela época de acordo com suas características. Ele ainda deixou espaços para elementos que seriam descobertos. Como é que pode?

Ilustração Walter Vasconcelos

Os elementos químicos reunidos por Mendeleev fazem parte da nossa vida. Na verdade, tudo à sua volta tem elementos químicos. Inclusive o papel em que você está escrevendo sua lista, assim como a tinta da caneta, e até sua mão, o resto do seu corpo, a água, o planeta inteiro – ufa! Tudo que existe está composto por elementos químicos. E tudo é formado por partículas muito, muito pequenas chamadas átomos.

Cada elemento químico é um tipo diferente de átomo. Hoje conhecemos 118 elementos químicos. E eles estão todos na tabela que Mendeleev criou. Já percebeu que essa lista ocupou muito espaço na vida do cientista, não é? E deve ter dado um trabalhão escrever os nomes dos elementos… Então, a solução foi abreviar, usando um símbolo para cada item. Quer um exemplo? Se você adora comida mineira e resolve fazer uma lista de comidas da região, ela poderia ficar assim:

 

Pão de queijo – P

Frango com quiabo – Fr

Feijão tropeiro – Fe

Canjiquinha – Ca

 

Quebra-palavras

Abreviar é algo bem comum na Química. Os químicos usam uma ou duas letras para representar os elementos. A primeira letra é sempre maiúscula. Às vezes, aparece um símbolo que não parece combinar muito com o seu nome em português. Não tem mistério, não. É que, nesses casos, o nome usado para criar o símbolo vem de outra língua, uma língua bem antiga, o latim. Veja o caso do elemento “Fósforo”, na Tabela Periódica, ele é representado pela letra “P”. Por quê? Porque a palavra tem origem no latim Phosporus.

Para caber tudo, além de abreviar os nomes, Mendeleev e sua equipe organizaram os elementos químicos que deveriam ficar mais próximos na lista e arrumaram um belo quebra-cabeça!

O desafio de Dmitri

As primeiras tentativas para organizar a Tabela Periódica aconteceram há mais de 150 anos. Vários cientistas fizeram propostas sobre como arrumar os elementos conhecidos. Na época, eram apenas 63, mas, mesmo assim, não era uma tarefa fácil…

Foi em 1869 que Mendeleev conseguiu a arrumação que conhecemos da Tabela Periódica. Ele estudou bastante não só os nomes, mas também as características deles. E esse conhecimento foi muito importante para organizar os elementos.

Mendeleev ficou tão interessado na tarefa que chegou a escrever os nomes dos elementos e suas propriedades em cartões pequenos. Ele arrumava tudo na mesa, como se fossem cartas de um jogo de baralho, tentava montar um verdadeiro quebra-cabeças.

Mas como saber qual elemento deveria ficar do lado de outro? Mendeleev decidiu tentar colocar os parecidos uns embaixo dos outros. Por exemplo, o lítio (Li) e o sódio (Na) são dois metais com características muito parecidas. Os dois são moles (podemos cortá-los com uma faca!), reagem com a água do mesmo modo e formam sais quando se juntam com o cloro – como o cloreto de lítio e o cloreto de sódio. As mesmas coincidências vão acontecendo em cada uma das colunas verticais da tabela.

Manuscrito da Tabela Periódica de Mendeleev, de 1869.
Wikipédia

Buracos na tabela

Por mais que Mendeleev arrumasse as cartas, não havia jeito de os elementos parecidos ficarem uns em cima dos outros. A não ser que ele deixasse alguns buracos vazios na tabela. E foi isso que ele fez! Os buracos vazios ficaram reservados para elementos que ainda não eram conhecidos naquela época.

E, para mostrar que sua tabela realmente funcionava, Dmitri conseguiu antecipar várias características de elementos que faltavam (que ainda nem haviam sido descobertos!). Ele chamou o elemento abaixo do alumínio (Al), por exemplo, de “eka-alumínio”. O eka-alumínio só foi descoberto em 1875 por um químico francês, Paul Emile Lecoq de Boisbaudran, que o chamou de gálio (Ga).

Mas não vá pensando que Mendeleev chegou às suas previsões por acaso. Elas resultaram de muito estudo dos elementos e seus compostos. Depois que os elementos que faltavam foram descobertos, Mendeleev e sua tabela ficaram famosos.

Tabela real

Desde que foi proposta, a tabela periódica não parou de crescer. Mais e mais elementos foram descobertos, até todos os possíveis elementos presentes na natureza terem seu cantinho nela. Depois, os cientistas começaram a criar novos elementos, artificiais, cada vez mais pesados. Hoje sabemos muito mais sobre como a tabela funciona e o que faz os elementos serem parecidos ou diferentes entre si. Mas o trabalho de Mendeleev, lá atrás, foi muito importante para colocar a ciência no caminho certo.

Agora só falta você terminar a sua tabela, feita a partir da sua lista de coisas. Ela vai se juntar às dezenas de tabelas divertidas que você pode encontrar por aí. Aliás, 2019 foi declarado o Ano Internacional da Tabela Periódica. É uma lembrança de que, há 150 anos, Dmitri Mendeleev criou toda essa organização dos elementos químicos. É uma boa maneira de comemorar, não é mesmo?

Dmitri Mendeleev
Foto Wikipédia

Alfredo Luis Mateus,

Colégio Técnico (COLTEC),
Universidade Federal de Minas Gerais.

Matéria publicada em 21.06.2019

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