
Nome popular: morceguinho-do-cerrado
Espécie: Lonchophylla dekeyseri
Tamanho: de 5 a 7 centímetros de comprimento (corpo) e 12 gramas de peso
Classificação: em perigo
Uma pequena criatura voa na noite escura. Vai de flor em flor em busca de néctar para se alimentar. Um beija-flor? Não! Se é pequenino e voa por aí à noite, deve ser o morceguinho-do-cerrado. Já ouviu falar dele? Essa espécie só existe no Brasil e vive principalmente… Adivinha? No Cerrado brasileiro, como o nome dele anuncia. Mas não é fácil encontrá-lo, porque esse morcego depende de ambientes específicos para sobreviver. E é justamente por isso que está ameaçado de extinção.
Apesar de muita gente associar morcegos a vampiros, a maioria dos morcegos não se alimenta de sangue. O morceguinho-do-cerrado, por exemplo, faz parte de um grupo especial chamado nectarívoros ou morcegos beija-flores, porque se alimenta de néctar, substância açucarada produzida pelas flores.
E, ao visitar as flores em busca de alimento, ele acaba transportando pólen de uma planta para outra, ajudando na reprodução delas. Isso mesmo: o morceguinho-do-cerrado é um importante polinizador!
Curioso é que seu cardápio muda ao longo do ano. Durante a estação seca, quando muitas plantas do Cerrado estão floridas, esse morceguinho se alimenta principalmente de néctar de flores de plantas como a pata-de-vaca, o embiruçu, o açoita-cavalo, o dedaleiro e o jatobá. Já na estação chuvosa, quando as flores ficam mais escassas, ele complementa a dieta com frutos e insetos. Essa flexibilidade ajuda o morceguinho a encontrar alimento mesmo quando o ambiente se transforma ao longo das estações.

O morceguinho-do-cerrado é bastante exigente na hora de escolher onde viver: ele gosta de cavernas! É nesses locais que encontra abrigo para descansar, se proteger e criar seus filhotes. Mas diferentemente de outros morcegos, essa espécie não vive em grandes colônias. O morceguinho-do-cerrado costuma formar pequenos grupos e pode usar o mesmo abrigo por muitos anos.
Outro detalhe curioso é que ele não voa grandes distâncias. Seus deslocamentos geralmente são de poucos quilômetros, o que faz com que precise encontrar alimento e abrigo nos arredores da caverna onde mora. E aí está um dos seus problemas…
Como depende de cavernas e não se desloca muito, essa espécie tem dificuldade para ocupar novos ambientes quando seu hábitat é alterado. Além disso, ele pode dividir as cavernas com outras espécies, como o morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus), que é hematófago, isto é, se alimenta de sangue. Daí, quando ocorrem ações de controle de populações das espécies hematófagas, elas acabam afetando também o morceguinho-do-cerrado.
Outro risco para a espécie é a destruição ou a perturbação das cavernas, seja por atividades como a mineração ou pela visita sem controle de turistas. Como esses ambientes são essenciais para sua sobrevivência, qualquer alteração pode ter um grande impacto sobre o morceguinho-do-cerrado.
O Cerrado, que dá nome ao morceguinho, vem desaparecendo aos poucos, e isso afeta diretamente a sobrevivência desta espécie de morcego e de muitos outros animais e plantas. O avanço das áreas para agricultura, criação de animais e o crescimento das cidades têm reduzido e fragmentado esse bioma, deixando as áreas naturais cada vez menores e mais isoladas.
Quando isso acontece, as populações do morceguinho-do-cerrado também acabam separadas umas das outras, com menos espaço para viver e menos chances de encontrar alimento e abrigo. Com o tempo, esse isolamento pode diminuir o número de indivíduos e aumentar o risco de desaparecimento da espécie em diferentes regiões.
Mesmo sendo difícil de ver, o morceguinho-do-cerrado tem um papel importante na conservação do Cerrado. Ao visitar flores em busca de alimento, ele ajuda muitas plantas a se reproduzirem e contribui para manter esse ambiente cheio de vida.
Agora que você conhece esse pequeno guardião do Cerrado, que tal compartilhar essa história com seus amigos? Quanto mais pessoas conhecerem o morceguinho-do-cerrado, maiores são as chances de protegermos essa importante espécie e o ambiente em que vive!
Maria Clara do Nascimento,
Laboratório de Quiropterologia Neotropical,
Universidade Federal do Mato Grosso (Campus Sinop).
Matéria publicada em 01.07.2026