
Nome popular: Imperatriz-do-Brasil
Espécie: Worsleya procera
Tamanho: até 1,5 metros de altura
Classificação: em perigo
A imperatriz-do-Brasil é uma erva pertencente à família das amarilidáceas, também conhecida como flor-da-imperatriz e rabo-de-galo. Ela só cresce em poucas áreas de altitude, acima de 1.200 metros, na região da Serra dos Órgãos, no estado do Rio de Janeiro.
Essa espécie serrana vive em condições extremas e floresce no meio das rochas, nos campos de altitude da Floresta Atlântica fluminense. Seu caule tem uma característica bem curiosa: parece uma cebola, onde armazena água e nutrientes. Isso é importante porque, na altitude onde vive, o sol é muito forte, o solo é raso ou, em muitos casos, nem existe.
O formato de suas folhas em forma de foice e as flores grandes, de coloração lilás a azulada, justificam um de seus nomes populares: rabo-de-galo. E é essa característica vistosa que atrai o interesse de comerciantes e colecionadores.
Não é fácil cultivar a imperatriz-do-Brasil por causa das exigências específicas relacionadas ao ambiente natural em que vive. Sua raridade faz com que atinja altos valores no mercado e atraia a cobiça de comerciantes e colecionadores de plantas ornamentais. Desse modo, a principal fonte de onde é retirada essa raridade é o ambiente natural, de onde são extraídas de forma indiscriminada, colocando a espécie em risco de extinção.
Embora seja desconhecida do grande público no Brasil, pela sua raridade e ausência em floriculturas, a espécie é muito comercializada e cultivada no exterior — o que acontece também com outras plantas ornamentais, como orquídeas, bromélias, cactos, entre outras.
Mesmo estando ameaçadas de extinção, sendo difícil de cultivar e raríssima, a imperatriz-do-Brasil pode sair do Brasil legalmente — o que não deveria acontecer… Mas não é só pela exportação que a espécie se encontra ameaçada, é também por diversos fatores que atingem o seu ambiente diretamente. Estamos falando de incêndios frequentes e altamente devastadores, invasão do capim-gordura (uma gramínea africana, espécie invasora, introduzida no Brasil), pisoteio de turistas e até mesmo a ingestão por animais herbívoros, como cabritos, que invadem suas raras áreas de ocorrência e comem essas ervas no período mais seco do ano, além de uma espécie de lagarta que se alimenta dos tecidos nutritivos do seu caule.

A imperatriz-do-Brasil cresce em localidade protegida por uma unidade de conservação, a Área de Proteção Ambiental de Petrópolis. Mas essas unidades têm pouco poder de proteção, especialmente sobre impactos ambientais extensos, como é o caso dos incêndios.
Atualmente são conhecidos cerca de 20 remanescentes populacionais, ou seja, vinte áreas onde a imperatriz-do-Brasil cresce livremente, dos quais apenas quatro são considerados bem conservados.
No passado, a sua ocupação era maior, mas tanto mudanças climáticas quanto a atuação do ser humano foram responsáveis pela redução considerável de sua área de ocorrência natural.
Essa relíquia natural merece toda atenção e cuidado para que não desapareça da natureza em um futuro próximo.
Luiz Menini Neto,
Departamento de Botânica,
Universidade Federal de Juiz de Fora.
Samyra Gomes Furtado,
Centro Universitário Academia (Juiz de Fora-MG).
Matéria publicada em 01.06.2026