A descoberta de uma espécie desconhecida que ficou três décadas guardada, sem que ninguém percebesse, é um lembrete de que as coleções científicas podem conter segredos aguardando novos olhares. Muitos objetos de estudo já foram coletados e estão armazenados, mas nem sempre são reexaminados com atenção ou utilizando novas técnicas.
O gênero Exetasis, do qual faz parte a nossa mosca investigada, tinha poucas espécies conhecidas no Brasil, todas bastante raras. Com a descoberta da mosca-de-aranhas-teresense, mais um membro do grupo foi revelado, o que ajuda a compor melhor o quebra-cabeça da biodiversidade de moscas parasitoides de aranhas na Mata Atlântica. Esse conhecimento é essencial: não basta descrever espécies, mas entender onde ocorrem, como vivem e como se relacionam com a biodiversidade.
Uma das lições mais impressionantes dessa descoberta é o valor das coleções biológicas: elas guardam informações que muitas vezes não são totalmente estudadas no momento da coleta. Sem coleções, muitas espécies poderiam ser extintas sem nunca terem sido descritas pela ciência.