Planta da areia branca

Planta da areia branca
Foto Vagner S. Faller

Nomes populares: quaresminha-da-areia

Espécie: Pleroma quartzophilum

Tamanho: em média 1,5 metro de altura

Classificação: em perigo

Essa é uma planta muito rara. Ela pertence à família Melastomataceae e é microendêmica: isso quer dizer que ela existe apenas em um lugar muito específico do mundo! O lugar em questão são os Morros de Sal, no município de Vargem Alta, na região serrana do estado do Espírito Santo. Esses morros são chamados assim porque são ambientes formados por areias brancas, tão brancas que, para quem vê de longe, parecem grandes depósitos de sal.

Pequena no tamanho, mas gigante em importância, a quaresminha-da-areia apresenta flores delicadas e precisa de atenção.

A descoberta

A quaresminha-da-areia é um arbusto que foi descoberto em 1949 pelo botânico alemão Alexander Curt Brade, que veio ao Brasil para estudar as plantas do país. Alguns anos depois, em 1956, a espécie foi oficialmente reconhecida pelo botânico, que destacou que a planta vivia somente sobre solo de quartzito, formado por uma areia de aspecto esbranquiçado. Foi daí que surgiu o nome quartzophilum, que significa “amiga do quartzito”.

Com o passar do tempo, outros cientistas confirmaram que essa planta existe somente nesse tipo de ambiente, encontrada apenas em alguns Morros de Sal do município de Vargem Alta. E, por depender de um ecossistema tão específico e ameaçado, ela também passou a integrar a lista de espécies ameaçadas de extinção.

Ver para proteger

Os Morros de Sal, também chamados Areais ou Saibreiras em outras localidades do Espírito Santo, abrigam, além da quaresminha, várias outras plantas raras e ameaçadas de extinção. Muitas espécies da região enfrentam problemas sérios, como a mineração, o desmatamento e a criação de gado, que pisoteia as plantas e se alimenta delas nesses ambientes. A invasão de espécies exóticas, isto é, que não fazem parte dos Morros de Sal, também é considerada um problema. Essas plantas ocupam o ambiente e prejudicam o desenvolvimento daquelas que são nativas.

Além disso, há uma ameaça silenciosa: o desconhecimento. Quando as pessoas não conhecem um ambiente, ele acaba ficando esquecido, “invisível”, e o que não é lembrado ou visto dificilmente é cuidado ou protegido.

Novas espécies

Desde a primeira coleta realizada pelo botânico Brade, poucos cientistas se dedicaram ao estudo da quaresminha-da-areia. Ao longo de mais de 70 anos, foram registradas apenas quatro novas coletas, todas restritas a dois Morros de Sal de Vargem Alta. As observações indicaram uma redução no número de plantas dessa espécie. Essa diminuição se deve, entre outros motivos, aos impactos acumulados das atividades humanas ao longo de décadas na região.

A partir de 2016, houve um avanço significativo na descrição de novas espécies endêmicas dos Morros de Sal. Apesar desses avanços no conhecimento da flora regional, a quaresminha-da-areia continua como uma espécie microendêmica, que vive somente no município de Vargem Alta, o que reforça a urgência de medidas de conservação para essa planta tão rara.

Flores brancas, lista vermelha

Com suas flores brancas e vistosas, a quaresminha-da-areia depende diretamente dos Morros de Sal para sobreviver, preferindo habitar áreas mais iluminadas. Desde 2007, ela está incluída em listas de espécies ameaçadas. Por isso, apesar de ser uma planta muito bonita e atrativa para o paisagismo, a quaresminha-da-areia não pode ser retirada da natureza!

Desde 2023, novos esforços de pesquisa vêm sendo realizados para localizar outras populações dessa espécie e de outras endêmicas dos Morros de Sal. A divulgação de informações sobre a biodiversidade dessa região chama a atenção para a existência e a importância desse ambiente e das espécies que nele vivem.

Quando protegemos a quaresminha-da-areia, protegemos também toda a vida ao redor dela. Assim, a beleza das plantas que ocorrem nos Morros de Sal sempre estará lá para ser admirada!

Vagner Schaefer Faller,
Vitor Corrêa Dias Gonçalves,
Elton John de Lírio,
Instituto Nacional da Mata Atlântica.

Matéria publicada em 01.10.2026

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