
O nome dele é Jacques Cousteau (pronuncia-se “Jaque Custô”). E esse francês tem uma história fascinante! Nasceu em 1910, em uma família simples, e foi uma criança tímida. Quando jovem, entrou para a Academia Naval Francesa e desejou se tornar piloto de hidroaviões, aeronaves projetadas para pousar na água. Mas, aos 26 anos, um acidente de carro quase fatal interrompeu sua carreira. Jacques fraturou os dois braços e quase precisou passar por uma amputação. Foi com exercícios de natação no mar Mediterrâneo que ele se reabilitou sozinho. Para nadar, usava óculos especiais de mergulho emprestados por um amigo, e o que via debaixo d’água despertou uma nova paixão: explorar o fundo do oceano!
Começou a correr atrás do seu sonho, adaptando uma válvula de gás para usar com cilindros de ar comprimido. Nascia o Aqualung, um equipamento criado por ele que permitia mergulhos mais profundos, sem a necessidade das mangueiras que eram utilizadas até então. E quanto mais descobria, mais longe queria ir.
Em 1950, conseguiu outro grande parceiro – além do Aqualung, que o acompanhou até o final da vida em suas explorações oceânicas –, o navio Calypso. Um bilionário inglês que havia comprado a embarcação decidiu emprestá-la a Cousteau como forma de apoiar as suas pesquisas. E ele surpreendeu!
Modificou o navio, instalando equipamentos avançados, como minissubmarinos, câmeras aquáticas que funcionavam até 60 metros de profundidade e propulsores de mergulho (algo como “motos subaquáticas”). A embarcação passou a contar também com uma sala de observação que ficava três metros abaixo do nível da água, laboratórios de pesquisa para analisar o que se coletava no fundo do mar e um local para pouso de helicóptero. Para fazer tudo isso, o francês vendeu bens e contou com a contribuição de pessoas ricas que acreditavam nas suas explorações.
A bordo do Calypso, Jacques Cousteau e sua equipe, que incluía seus filhos, produziram diversos documentários e séries de televisão, ganhando inclusive o Oscar de melhor documentário pelo filme O Mundo do Silêncio (1956). Mas o que o tornou popular e famoso, além de sua touca vermelha tradicional, foi a série televisiva chamada Mundos submarinos de Jacques Cousteau, exibida entre 1968 e 1980. Ao longo dos episódios, ele relatava suas incríveis descobertas e experiências submarinas.
Uma das suas expedições mais importantes foi feita em 1956, quando o Calypso filmou um vale profundo ao longo da cadeia de montanhas que existe no meio do oceano e confirmou a “fenda” que a cientista estadunidense Marie Tharp havia mapeado pouco tempo antes. Cousteau, assim como a maior parte dos cientistas da época, duvidava da ideia proposta por ela, mas a câmera em seu navio comprovou tudo aquilo que a cartógrafa havia proposto.
Além de confirmar descobertas científicas como a de Marie Tharp, Cousteau foi um dos primeiros a alertar sobre problemas globais, como poluição marinha e pesca descontrolada, e inspirou gerações de biólogos, exploradores e educadores marinhos. Seus filmes e séries de televisão levaram o oceano às telas do mundo todo. O encantamento pelo fundo do oceano foi a base para a sua filosofia de conservação, conhecida como “conhecer, amar, proteger”.

Eder Molina
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Universidade de São Paulo
Sou paulista, e já nem lembro quando nasci… Sempre fui curioso sobre o porquê das coisas, e desde criança tinha meu clubinho da ciência. Hoje sou professor de Geofísica e continuo xereta e buscando aprender muitas coisas, principalmente sobre a Terra e o Sistema Solar.
Matéria publicada em 09.04.2026