Manual de sobrevivência extraterrestre – PARTE I

Como se proteger em um ambiente bem diferente da Terra? Em Mercúrio, por exemplo, a temperatura é extremamente alta. Em Vênus, a atmosfera é tóxica e irrespirável. Em uma das luas de Júpiter, há uma enorme camada de gelo cobrindo um oceano de água salgada! Pode parecer mentira, mas existem seres terrestres que parecem ter nascido preparados para enfrentar condições extremas. Com um pouco de imaginação, podemos participar de um treinamento que revele o que esses organismos fazem para resistir! Topa?! Ao final, pode ser até que dê para escrever um “manual de sobrevivência extraterrestre”!

Manual de sobrevivência extraterrestre – PARTE I
Ilustrações Walter Vasconcelos

Nosso treinamento começa conhecendo um pouco sobre a história da vida na Terra. Nós, humanos, as plantas e as outras espécies não começamos a existir já nessa forma tão complexa que somos. Primeiro, existiram seres compostos de uma só célula, os organismos unicelulares. Os lactobacilos, presentes no iogurte, e as bactérias, que às vezes causam dor de barriga na gente, são exemplos de seres unicelulares.

Essas primeiras células apareceram na Terra há quase 4 bilhões de anos. E só 500 milhões de anos mais tarde, surgiram os organismos pluricelulares, aqueles compostos de mais de uma célula. Nós, humanos, só fomos existir muito depois, cerca de 300 mil anos atrás.

Agora, pense comigo. Se existe vida fora da Terra, ou seja, se extraterrestres existem, você acha que eles iriam começar sua existência já grandões, verdes e falantes, como nos filmes de ficção? Provavelmente não, né? Muitos cientistas acreditam que, se há vida extraterrestre, talvez ela tenha seguido um roteiro parecido com o da vida em nosso planeta, com organismos unicelulares ou até multicelulares, porém mais simples, como na Terra primitiva.

Vida fora da Terra

Agora, vem comigo! Se você fosse um organismo que precisasse habitar um ambiente extremo, o que faria para sobreviver? Mercúrio, por exemplo, é um planeta que fica muito perto do Sol e, por isso, é um verdadeiro forno: a temperatura durante o dia pode passar de 400 graus! Lá, você iria torrar. Já Vênus tem uma atmosfera muito densa, rica em gás carbônico, o que provoca um efeito estufa gigantesco. O ar se torna irrespirável! E em Europa? Não estamos falando do continente europeu, mas da lua de Júpiter, que leva esse nome também. Os níveis de radiação são muito altos por lá, e sua superfície tem uma camada de gelo quilométrica. Você iria congelar!

A conclusão é que, para viver nesses ambientes, o corpo humano precisaria estar preparado para aguentar lugares nada amigáveis. Mas alguns seres terrestres parecem ter essa adaptação, e é por isso que cientistas se dedicam a estudá-los.

Manual de sobrevivência extraterrestre – PARTE I

Viagem aos extremos

Para ter uma ideia de como deve ser o ambiente extraterrestre, cientistas viajam para lugares com temperaturas altíssimas. Esses ambientes podem ser ricos em enxofre e com pouca ou quase nenhuma presença de oxigênio, podem ser muito ácidos ou muito básicos, ou, ainda, locais com muita radiação. E, sim, nós temos lugares assim aqui na Terra, onde a biologia e a ideia de viver em outro planeta se encontram.

Nesses lugares, são coletados organismos capazes de viver em condições extremas. No laboratório, suas adaptações para viver em paz em ambientes nada amigáveis são analisadas. Alguns desses seres vivem nas profundezas do oceano, onde “vulcões” submarinos – cientificamente chamados de fontes hidrotermais – expelem água a mais de 300 graus Celsius. Outros estão nas montanhas, onde o Sol castiga as rochas com uma radiação ultravioleta altíssima.

O que esses organismos fazem para não virar “sopa de célula” nesses ambientes extremos para humanos é o que vamos ver agora!

Leticia Dobler,
Instituto de Química
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 01.10.2026

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