
Você já tentou observar algo bem pequeno, como um fio de cabelo ou um grão de areia? Agora, conseguiria enxergar coisas milhares de vezes menores, como vírus, bactérias, partes das células ou até os átomos na superfície de um material? Não dá! Para isso, precisamos de um aparelho chamado microscópio, que aumenta a imagem das coisas bem pequenas. Durante muito tempo, os microscópios comuns, que usam luz, ajudaram os cientistas a descobrir um mundo até então invisível aos nossos olhos. Mas eles tinham um limite: algumas estruturas eram pequenas demais para serem vistas com detalhes. Foi aí que apareceu uma ideia revolucionária: usar pequenas partículas, chamadas elétrons, no lugar da luz.
Assim, surgiu o primeiro microscópio eletrônico, desenvolvido pelo físico alemão Ernst Ruska. Com a novidade, foi possível observar detalhes muito menores do que aqueles vistos nos microscópios tradicionais. Essa invenção revolucionou a biologia, a medicina e o estudo dos materiais. E, em 1986, recebeu um dos mais importantes prêmios da ciência, o Prêmio Nobel de Física. Esse foi o mesmo ano, aliás, em que surgiu a Ciência Hoje das Crianças!
O Nobel de 1986 também reconheceu outra invenção incrível: um microscópio chamado varredura por tunelamento, conhecido como STM. Criado por outros dois físicos, Gerd Binnig e Heinrich Rohrer, esse microscópio não observa a amostra como uma câmera, como faz um microscópio comum. Ele funciona quase como um dedo muito, muito pequeno, que passa bem perto da superfície de um material. Quando essa ponta chega pertinho, elétrons conseguem atravessar o espaço entre ela e a superfície. Medindo esse efeito, o aparelho mostra o material de forma muito mais detalhada!
Graças a esses microscópios, os cientistas passaram a explorar paisagens minúsculas: células, vírus, nanopartículas e superfícies formadas por átomos. Eles nos ensinaram que existe um universo inteiro escondido no que é muito pequeno. E que, às vezes, para enxergar melhor, precisamos inventar novas formas de ver o mundo.
Beatriz Araujo, Igor Taveira,
Laboratório de Biologia Computacional e Nanossistemas Aplicados,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 03.08.2026
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