Clubes de ciências: aprender, experimentar e compartilhar

Você sabe o que é um clube? Tem clube de futebol, de tênis, de recreação (ah, que delícia passar o dia na piscina do clube!) e muitos outros. Clubes são espaços para reunir pessoas que gostam da mesma coisa e querem estar sempre se encontrando para tratar do interesse que têm em comum.
E é do interesse de pesquisar, fazer experimentos e descobrir coisas novas que surgem os clubes de ciências! Se você já pensou em ter o seu, mas ainda não tomou a iniciativa, aceite o convite da CHC para acompanhar a história sobre como nasceram essas reuniões que têm alguma área da ciência como assunto principal. Essa leitura pode ser o empurrãozinho que faltava para você fundar o seu!

Ilustração Walter Vasconcelos

No Brasil inteiro é possível encontrar espaços chamados de clubes de ciências, que são muito variados nos temas de interesse. Registros históricos indicam que eles surgiram no país nos anos 1950, associados às feiras de ciências, para estudar as ciências da natureza de maneira mais prática. Os registros também revelam que, a partir dos anos 1970, eles se multiplicaram em muitos estados brasileiros, refletindo o movimento de renovação no ensino de ciências e o desenvolvimento tecnológico que acontecia no mundo, por conta da chamada corrida espacial – uma disputa tecnológica entre estadunidenses e russos pela conquista do espaço. 

Já nos anos 1980, houve uma queda no número de clubes de ciências possivelmente pela dificuldade dos professores de se envolverem com essas reuniões, que geralmente aconteciam fora de seu horário de trabalho nas escolas. Mas, no final da mesma década, felizmente, há registros de que eles foram ressurgindo! 

Nos anos 1990, o país já contava com mais de 150 clubes de ciências, com vários jeitos de trabalhar e pensar o tema. E, de lá pra cá, novos clubes continuam surgindo. Mas por onde andam?

Número de Clubes de Ciências por estado brasileiro.
Fonte: Dados da RICC, 2025./Gráfico Marina Vasconcelos

Onde estão e como funcionam?

A grande maioria dos clubes de ciências funciona dentro de escolas, onde alguma professora ou professor, fora do horário da aula, organiza a garotada que gosta de ciências e se interessa em usar o tempo livre para colocar a mão na massa e investigar os mais diversos assuntos. 

O princípio básico de um clube de ciências, seja em que área for, é explorar diferentes maneiras de fazer ciência. A curiosidade é um elemento fundamental, porque nos permite fazer perguntas a partir da, nossa realidade. Para responder a essas perguntas, a metodologia científica oferece caminhos, desenvolvendo observações, argumentação e registros. Cada área do conhecimento propõe abordagens diferentes para conhecer mais sobre o mundo que nos cerca. Os clubes de ciências são, então, espaços para experimentar diversas práticas científicas. 

Portanto, as reuniões dos clubes de ciências são feitas para pesquisar, investigar, realizar descobertas e até implementar algo novo no espaço do clube. Esse espaço pode ser a própria escola, um museu ou a vizinhança. 

Um exemplo? Imagine que você e seus amigos formaram um clube de ciências voltado às questões ambientais e, no momento, vocês estão investigando uma inesperada proliferação de baratas na vizinhança. Qual o problema observado? “A proliferação de baratas”. Que pergunta fizeram? “De onde elas estão vindo?” “Do terreno baldio, onde o lixo é acumulado; do esgoto das casas; da mata próxima à vizinhança”.  Como podemos verificar? “Seguindo o rastro das baratas e ouvindo a vizinhança”. Como podemos registrar esses dados? “Anotando todo o passo a passo no livro do clube”. O que argumentaram e concluíram? “Que as baratas vêm do terreno baldio, sendo necessário fazer a limpeza do local e rever o destino que é dado ao lixo”. Como essa investigação contribui para uma ação na comunidade? “Decidiram mobilizar a vizinhança, espalhando cartazes e acionando a companhia de limpeza”. Esse exemplo mostra características de uma investigação científica, assim como tantas implementadas em clubes de ciências, que podem se desdobrar em ações na comunidade. 

Grande encontro

Em 2024, ocorreu o Encontro dos Clubes do de Ciências do Rio de Janeiro, no Espaço Ciência Viva (ECV), quando 13 clubes da região apresentaram projetos que realizaram ao longo do ano. Aconteceram oficinas, apresentações de trabalhos desenvolvidos pelos participantes e uma roda de conversa com educadores e educadoras que organizam clubes de ciências. Um dos frutos desse evento foi um livro eletrônico de memórias.

Nessa reunião de clubes foi possível entender a importância de buscar apoio governamental e outras fontes de investimento, porque só assim esses espaços conseguem funcionar e manter sua infraestrutura. O evento também revelou o potencial dos clubes de ciências para desenvolver novos conhecimentos. E que tudo fica melhor quando podemos compartilhar o que aprendemos. 

Vamos conhecer alguns participantes desse grande encontro?

Entrada do Espaço Ciência Viva com os colaboradores e clubistas do encontro, que aconteceu em 2024.
Foto cedida pelas autoras

Núcleo de Atividades em Física (NAF): criado em 1997, funciona no Colégio de Aplicação (CAp) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desenvolve atividades com alunos do ensino médio que integram conhecimento, aventura e serviço.

Clube de ciências da FFP: Começou em 2020 como um projeto na Faculdade e Formação de Professores (FFP) da UERJ. É um clube de ciências para crianças entre 10 e 12 anos de idade. Com a ajuda dos universitários, trabalha a iniciação científica e busca estimular o olhar crítico e diverso.

Espaço Ciência Viva: Atualmente tem parceria com três clubes de ciências: o Clube da Escola Municipal José do Patrocínio (EMJP), o Clube de Ciências da Escola Municipal Severina dos Ramos de Sousa (EMSRS) e o Clube da Escola Municipal Nun’Álvares Pereira (ENAP). Cada um desenvolve projetos diferentes – tendo o foco ambiental em suas atividades.

Clube de Jovens Cientistas do Museu Nacional: Coordenado pela SAE-MN/UFRJ, foi criado em 2018 e é formado por jovens do 8º e 9º de escolas municipais do território compartilhado com o Museu Nacional/UFRJ. As atividades acontecem no Museu Nacional.

Suave na Nave: Com a parceria do Museu de Astronomia e Ciências Afins, desenvolve atividades de experimentação, brincadeiras, conversas, além de organizar eventos, como olimpíadas e feiras de ciências. Estimula a participação das meninas na ciência, com foco na astronomia.

E aí, gostou de conhecer as atividades de alguns clubes de ciências do Rio de Janeiro? Está pensando em reunir os amigos e montar um também? Se considerar difícil, existe a opção de trocar a ideia de organizar o próprio clube pela possibilidade de participar de um. Pesquise se existe algum perto de você! Pode apostar que há um mundo de descobertas e diversão regado a muita amizade esperando por você!

Conexão entre clubes

Desde 2015, foi criada a Rede Internacional de Clubes de Ciências (RICC), que incorpora clubes de ciências presentes no Brasil e na América Latina. Reunir os clubes do Brasil é uma tarefa que segue em andamento. Certamente, muitos outros existem, mas não estão vinculados a esta Rede. Você conhece algum?

Tânia Goldbach
Júlia Canário do Anjos
Espaço Ciência Viva

Aline Miranda e Souza
Seção de Assistência ao Ensino
Museu Nacional/UFRJ

Matéria publicada em 02.02.2026

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