
O Caapora, grande habitante do mato, desafiou a tartaruga para experimentar quem era o mais forte. Para isso, cada um devia segurar uma ponta de cipó e puxar, cada qual para seu lado, até que o outro desistisse ou fosse puxado.
A tartaruga aceitou, mas com uma condição: que ela ficasse na água e o adversário em terra. Quando o Caapora atirou a ponta do cipó para dentro do rio, a tartaruga, mais do que depressa, amarrou-a à cauda de um peixe-boi, que é um mamífero aquático enorme, e escondeu-se.
O Caapora de um lado e o peixe-boi de outro fizeram força desesperada. O Caapora trazia o peixe-boi até a margem do rio ou era arrastado para a beira d’água.
Finalmente, o Caapora cansou-se e pediu trégua. A tartaruga rapidamente desamarrou o peixe-boi e voltou tranquila, sem nem ao menos demonstrar cansaço.
O Caapora deu-se por vencido:
– Tu és mais forte do que eu!
E foi-se embora desanimado.
*Esta fábula foi recontada pelo escritor Couto de Magalhães, que viajou Brasil afora, conviveu com os indígenas e recolheu essa e outras histórias publicadas em seu livro O selvagem, de 1876.

“A tartaruga e o Caapora” foi originalmente publicado na edição nº8, quando a Ciência Hoje das Crianças, a CHC, ainda era um encarte da revista Ciência Hoje (dos adultos!). O encarte tinha o propósito de aproximar os filhos e as filhas dos assinantes da Ciência Hoje do mundo da ciência. A ideia deu tão certo que, poucos volumes depois, a CHC se tornou uma revista independente, com seus próprios assinantes.
Esta história é uma fábula, uma narrativa em que os personagens, quase sempre, são bichos, mas refletem comportamentos humanos, nem sempre os mais corretos.
Matéria publicada em 03.08.2026