
O ozônio é um gás que fica na estratosfera, região da atmosfera que fica entre 10 e 50 quilômetros de altura em relação ao solo. Ele tem uma função muito importante: filtrar a radiação ultravioleta (UV) que vem do Sol, sendo uma espécie de “protetor solar” da Terra. Sem esse escudo de ozônio, a vida na superfície seria “fritada”, literalmente!
Em 1985, cientistas britânicos que faziam estudos na Antártica, o continente gelado, notaram que o ozônio que fica na estratosfera tinha diminuído drasticamente. Eles ficaram tão surpresos que achavam que o equipamento de medição usado nas pesquisas estava com defeito. Afinal, parecia impossível perder tanto ozônio, tão rápido. Eles persistiram nessa investigação e chegaram a uma descoberta importante: os gases usados em refrigeradores, aparelhos de ar-condicionado e sprays, chamados gases CFCs (clorofluorcarbonetos), estavam destruindo esse escudo! Quando chegavam à atmosfera superior, esses gases liberavam cloro, que atacava a camada de ozônio, destruindo nossa proteção. Havia um verdadeiro buraco na camada de ozônio!
Com a confirmação do perigo, o mundo não perdeu tempo debatendo. Dois anos depois, em 1987, vários países assinaram o Protocolo de Montreal. Foi um acordo global inédito, com o objetivo de banir os gases CFCs de sprays e geladeiras. A ciência deu o alerta, e a política obedeceu. O Protocolo de Montreal deu bons resultados! E hoje, 40 anos depois da descoberta do buraco, ele parou de crescer e está “cicatrizando” lentamente. A previsão é que a camada de ozônio possa se recuperar totalmente por volta de 2066.
Essa não é só uma história do passado. Ela prova para a atual geração que, com uma ciência séria, união global e comprometimento de países e seus governantes, não existem danos ambientais irreversíveis. É possível, sim, consertar o mundo.
José Ricardo de Almeida França
Departamento de Meteorologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Matéria publicada em 02.02.2026
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