Dengue no alvo

A dengue é um problema sério e, por isso, todo mundo tem que fazer sua parte na luta contra ela. Na sua casa, você pode evitar o acúmulo de água para que os mosquitos Aedes aegypti, transmissores da doença, não depositem seus ovos. Nos laboratórios, os cientistas procuram desenvolver vacinas e métodos para dificultar a proliferação dos insetos, entre outras soluções.

Como a dengue precisa do mosquito para se espalhar por aí, uma grande parte dos esforços dos pesquisadores para o combate à doença está concentrada sobre o A. aegypti. Você já viu aqui na CHC, por exemplo, que alguns estudos pretendem contaminar o inseto com uma bactéria que lhe impediria de transmitir o vírus. Outra iniciativa é tornar os mosquitos estéreis, ou seja, incapazes de se reproduzir. É o que uma equipe da Universidade de São Paulo e do Laboratório Bioagri de Charqueada está fazendo com a ajuda de radiação eletromagnética.

Cada fêmea de Aedes aegypti pode gerar cerca de 1.500 filhotes durante a vida. Ao copular com machos estéreis, as fêmeas continuariam produzindo ovos, mas sem larvas que se transformem em futuros mosquitos (Foto: James Gathany / Centers for Disease Control and Prevention)

A técnica consiste em aplicar raios gama em insetos machos criados em laboratório, durante a fase de pupa. “Seria muito difícil e complicado colocar cinco ou dez mil mosquitos num pequeno recipiente para fazer este procedimento. Por isso, optamos pela irradiação das pupas, que correspondem à fase mais próxima do inseto adulto”, explica o biólogo Valter Artur, coordenador do estudo.

Depois de adultos, os mosquitos podem ser soltos nas cidades e outros locais, onde procurarão as fêmeas para copular. Mas… espera aí! Soltar mais mosquitos – quando na verdade queremos acabar com eles – não parece maluquice?

As pupas são colocadas em um aparelho especial que emite raios gama. Apenas os mosquitos machos são esterilizados, pois não é seguro soltar fêmeas na natureza – mesmo estéreis, elas poderiam picar as pessoas e transmitir o vírus da dengue (Foto: Genilton Vieira / IOC / Fiocruz)

Essa é uma ação estratégica. Soltos no ambiente, os mosquitos estéreis competem com os outros mosquitos pela atenção das fêmeas. Se ganharem a disputa, podem copular e a fêmea pouco depois porá seus ovos normalmente, mas com um detalhe importante: os ovos serão estéreis também, ou seja, não produzirão larvas. Aos poucos, a liberação sucessiva de mosquitos estéreis ajudará a reduzir a população total de mosquitos no ambiente – e, consequentemente, a presença do vírus da dengue.

Irradiador de Cobalto-60: o aparelho utilizado pelos pesquisadores para esterilizar os machos de Aedes aegypti (Foto: Marcelo Basso/ Cena-USP)

A dose de radiação aplicada nos mosquitos deve ser a correta para somente esterilizar os animais e nada mais. “Tem que ser uma quantidade de energia que não mate os mosquitos e que permita que o macho estéril mantenha as mesmas características dos machos que estão no ambiente, de modo a competir pelas fêmeas em condição de igualdade”, completa Valter.

Segundo o pesquisador, o processo de irradiação é uma técnica segura que não traz riscos para os seres humanos. “Muitas pessoas confundem material irradiado com material radioativo. São coisas completamente diferentes”, explica. “O material irradiado apenas recebe energia, como uma pessoa que se submete a um exame de raios-X – ela é exposta à radiação, mas não fica contaminada”.

Matéria publicada em 21.02.2013

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Fernanda Turino

Sempre fui muito curiosa, adorava brincadeiras ao ar livre e acampar (fui até escoteira!). Cresci lendo a CHC e hoje trabalho aqui.

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