Mosquitos contra a dengue

Tem muita gente por aí que não pode ver as patinhas listradas do mosquito Aedes aegypti que já sai correndo com medo de pegar dengue. Daqui a alguns anos, pode ser que essa situação mude e ninguém mais precise ter medo desse inseto. Isso porque, a partir de 2014, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) devem começar a liberar por aí mosquitos especiais que não transmitem a doença.

Pesquisadora manipula mosquitos em laboratório

Mosquitos especiais que estão sendo criados aqui no Brasil (Foto: Fiocruz)

Soltar mosquitos na natureza parece maluquice. Mas, segundo os cientistas, é a melhor maneira de controlar a dengue, doença que é passada para os humanos pela picada de um mosquito infectado com vírus da família Flavivírus.

A ideia veio de pesquisadores da Austrália: eles descobriram que injetar uma bactéria chamada Wolbachia dentro dos ovos dos Aedes aegypti faz com que eles cresçam imunes ao vírus da dengue. Os mosquitos especiais – que contêm a bactéria – passam a ter, então, um papel importante no controle do vírus.

Veja só: se um macho especial cruza com uma fêmea com dengue, os filhotes não vivem. Se ele cruza com uma fêmea sem dengue, os filhotes deles herdam a bactéria Wolbachia e passam a ser incapazes de abrigar e transmitir o vírus da dengue.

O resultado é que, quando esses mosquitos especiais são liberados entre os mosquitos normais, começam a se reproduzir até que não existam mais mosquitos capazes de transmitir a dengue. Para entender melhor, confira o vídeo abaixo:

No ano passado, os pesquisadores fizeram o teste e soltaram cerca de 300 mil mosquitos especiais em dois bairros australianos. Em cinco semanas, depois de muitos nascimentos e mortes, todos os Aedes aegypti da região eram especiais, ou seja, não podiam transmitir a dengue.

Aqui, os pesquisadores da Fiocruz já começaram a testar a estratégia. Por enquanto, os cientistas estão criando os mosquitos especiais em laboratório. Daqui a dois anos, os insetos vão começar a ser liberados no Rio de Janeiro.

O biólogo Luciano Moreira, que comanda o estudo aqui no Brasil, acredita que a estratégia pode acabar com a dengue no país. “Ainda estamos no início do projeto, mas, se tudo der certo como deu na Austrália, é possível que a gente elimine a transmissão da dengue”, diz.

Matéria publicada em 03.10.2012

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Sofia Moutinho

Curiosidade é meu lema! Desde pequena busco respostas para as perguntas mais intrigantes. Melhor que estar por dentro da ciência, só compartilhar com vocês esse conhecimento!

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