Bichos fluorescentes

A biofluorescência está presente em animais que você nem faz ideia!

Sabemos que a grande variedade de cores exibidas por plantas e animais são muito importantes para a comunicação desses seres na natureza. Mas um tipo muito especial de coloração vem chamando cada vez mais a atenção dos cientistas, porque parece ser muito mais comum do que imaginávamos: a biofluorescência.

Para entender melhor esse fenômeno precisamos lembrar que as cores que enxergamos são, na verdade, o reflexo de uma parte da luz branca que não é absorvida por aquele objeto. Em outras palavras: se um objeto ao ar livre nos parece azul, significa que ele absorve toda a energia da luz do Sol, exceto aquela correspondente à cor azul, que é refletida pelo objeto e captada por nossos olhos. Assim, objetos brancos são aqueles que refletem toda a energia da luz branca, enquanto objetos pretos são os que absorvem toda ela.

E os objetos fluorescentes? Bem, esses absorvem a energia correspondente a determinada cor e a transformam em outra cor antes de emiti-la. É por isso que, quando iluminados por uma lâmpada ultravioleta (conhecida como “luz negra”), que nós humanos somos incapazes de enxergar, objetos fluorescentes emitem de volta cores que conseguimos ver e, por isso, parecem brilhar no escuro.

Quando esse fenômeno ocorre em seres vivos chamamos de biofluorescência. Há décadas os cientistas vêm detectando esse tipo de coloração em diversos grupos de animais, especialmente os que vivem nos oceanos. Iluminados com lanternas especiais corais, águas-vivas, tartarugas e uma infinidade de peixes (incluindo tubarões!) revelam um verdadeiro espetáculo de cores fluorescentes no fundo do mar.

Fotos Flickr/Wikimedia Commons

Mas, à medida que novas pesquisas são feitas, a biofluorescência se mostra cada vez mais comum mesmo em animais terrestres. Minhocas, escorpiões, besouros, gafanhotos, lagartos e ratos são apenas alguns exemplos de uma lista que continua crescendo. Os últimos achados científicos sugerem que boa parte dos anfíbios, como salamandras e sapos, também tem a capacidade de “brilhar no escuro”.

As funções desse tipo de coloração é que deixam os cientistas com a pulga atrás da orelha. Muito provavelmente elas ajudam na comunicação entre animais da mesma espécie, mas é possível que essa cobertura fluorescente também ajude os animais a se livrar de bactérias. Vamos ficar de olho nas próximas descobertas dos cientistas e suas “lanternas mágicas”!


vinicius

Vinícius São Pedro,
Centro de Ciências da Natureza,
Universidade Federal de São Carlos

Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Matéria publicada em 01.04.2020

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