Alô, água! Alô, som!

Sonares e outros recursos ajudam a mapear o oceano

Foto NOAA

Você gosta de desafios de tecnologia? Se alguém lhe pedisse para descobrir o endereço de uma sorveteria no Japão, o que faria? Aplicativos como Google Earth ou Open Street Maps nos permitem “viajar” por todo o planeta e encontrar qualquer endereço pelo mundo com alguma facilidade. Essas ferramentas virtuais nos permitem ainda apreciar imagens aéreas de florestas a estádios de futebol, em São Paulo ou na Austrália sem sair do sofá. Ah, que bom! O mundo todo está mapeado, certo? Errado! Basta deslocar a imagem um pouco e você perceberá que, ao contrário da terra firme, que está cheia de informações e imagens, as áreas marinhas e oceânicas são cobertas por uma monótona camada azul, passando a ideia de que nada existe ou acontece debaixo d’água.

A verdade é que não sabemos mesmo quase nada do que ocorre no fundo do mar. Primeiro porque não há ninguém lá! Quero dizer, talvez você pense que o Aquaman, o Bob Esponja ou a Pequena Sereia vivam nas profundezas do oceano, mas, lamento informar: são apenas personagens fictícios! Então, temos de pensar em uma maneira de descobrir e mapear as regiões submarinas de alguma forma.

Podemos tentar usar novos equipamentos. Porém, mesmo com as mais modernas roupas de mergulho, o ser humano não pode mergulhar mais do que 300 metros de profundidade e a maior parte do oceano tem uma profundidade maior do que 4 mil metros! Podemos ainda recorrer aos satélites, da mesma maneira que fazemos para mapear os continentes, mas esta opção também não é viável, já que a luz não penetra muito na água. Você já tentou abrir o olho em uma piscina? Quase não se enxerga do outro lado. Da mesma maneira, as fotos de satélite só captam o que acontece na superfície da água. A maneira que os pesquisadores encontraram para fazer mapas do fundo do mar foi usar… o som!

O som, ao contrário da luz, se propaga muito bem debaixo d’água. Você já deve ter ouvido falar que as baleias e os golfinhos se comunicam por quilômetros de distância, então usamos uma solução similar: usamos ondas sonoras para “ver” o fundo do oceano, com aparelhos chamados “sonares”.

Os pesquisadores também embarcam em grandes navios oceanográficos para coletar amostras de água, seres vivos e material do fundo do mar, mas pense no tamanho do oceano e no trabalhão que dá para colher todas essas informações. A boa notícia é que estamos descobrindo novas maneiras de coletar informações debaixo d’água, com mais eficiência. Hoje há diversas boias espalhadas por todo o oceano captando informações sobre a temperatura da água o tempo todo, também construímos submarinos a controle remoto, que podem mapear o fundo do mar sem parar ou precisar subir a superfície. Para isso, já foram desenvolvidos pequenos sensores que podem ser colados a um golfinho ou a um tubarão; e rastrear para onde eles nadam ao longo de semanas ou meses. Esses dispositivos têm se tornado cada vez mais baratos e acessíveis. Atualmente, quase toda a informação gerada por essas novas tecnologias pode ser acessada pela Internet.

Mesmo com todos estes avanços, os mapas do oceano ainda aparecem com o azul sem graça no seu aplicativo. Mas, em breve, vamos enchê-los de informações e logo, um cientista do Brasil poderá facilmente acessar dados sobre uma espécie de camarão que vive na Austrália; da mesma maneira como você hoje busca o endereço daquela sorveteria no Japão.


Luis Américo Conti
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Universidade de São Paulo  

Matéria publicada em 25.10.2021

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