
Há muitos e muitos anos, a cidade de Jijoca de Jericoacoara guarda um segredo: o desaparecimento de Carolina. A bela menina, que era vista caminhando pelas areias brancas da praia, seria filha do rei e da rainha de uma cidade encantada que existiria sob as águas daquela região, bem aos pés do Morro do Serrote, próximo ao farol.
Dizem que Carolina, muito curiosa, passou por um buraco que havia em uma pedra e foi dar numa gruta gigante. Seguindo em frente para explorar o local, ela se deparou com um grande portão de ferro. Não resistiu e bateu uma, duas vezes, sem sucesso. Na terceira batida, o portão se abriu sozinho, fazendo aquele barulho estridente que você bem sabe como é.
Carolina deu apenas dois passos além do portão e um ser alado, uma mistura de humano e águia, apareceu. A menina assustada foi pega pelo pescoço e levada até a parte alta da gruta, onde uma feiticeira encontrava-se sentada em um trono, rodeada por muito ouro e pedras preciosas. A figura parecia com uma mulher, mas era bizarra! Tinha olhos enormes de lêmure. Observando a menina de cima a baixo, ela perguntou altiva:
– O que faz aqui, nos meus domínios?
Carolina começou a gaguejar uma desculpa, mas não teve tempo para terminar a frase. Foi transformada em uma serpente como punição por entrar na gruta sem licença. Somente sua cabeça e seus pés foram preservados, o restante do corpo ganhou escamas douradas e formato de cobra. A feiticeira sentenciou: – Você ficará presa aqui, em forma de serpente, e tomará conta de todo o meu tesouro, para sempre!
O tempo foi passando e, sem a presença da bela menina, a cidade encantada desapareceu para os olhos humanos. Dizem que, para desfazer o feitiço, é preciso lágrimas de sereia. Quando essas lágrimas forem derramadas na fechadura do portão, a menina voltará ao seu corpo original e a cidade, com seu palácio e tesouros, será revelada.
*Menina-serpente é uma narrativa popular do Ceará, contada na belíssima praia de Jericoacoara, lugar turístico no Nordeste do Brasil. Essa versão foi livremente adaptada pela CHC.
Matéria publicada em 02.02.2026