Cofrinho da natureza

Preservação é garantia de um ambiente saudável no futuro

lustração Walter Vasconcelos

Na cultura chinesa, o porco é símbolo de prosperidade e riqueza. Por esta razão, muitos cofrinhos têm o formato desse animal. E se há algo que podemos afirmar com segurança é que “para ter sempre, é preciso poupar”. E não falamos somente de poupar dinheiro; se o assunto é poupar natureza, precisamos ser econômicos com a água, os alimentos e com materiais diversos que são usados para produzir todo tipo de coisa – de roupas a celulares.

Há milênios, nós desfrutamos dos recursos do planeta. E isso inclui o oceano, que, por ser tão grande, parece infinito. Mas ele não é uma fonte inesgotável para exploração de minerais ou de pescados, muito menos um destino para todo nosso lixo e esgoto. As riquezas do oceano são limitadas e vêm sofrendo com as nossas ações, como a perda de biodiversidade e de serviços ecossistêmicos. Esses serviços são justamente todas as coisas boas que os oceanos nos dão, como o oxigênio que respiramos, alimento, lazer, entre tantos outros benefícios.

A boa notícia disso tudo é que podemos preservar esses recursos se soubermos como poupá-los. O caminho é a conservação da natureza, que envolve muitas ações diferentes. Um exemplo é o planejamento espacial marinho, que cria regras de uso para as diferentes áreas na zona costeira e marinha, como indicar onde é possível pescar sem agredir a natureza. Outro tipo de ação muito importante é a criação de unidades de conservação, que podem ser de proteção integral – onde é permitida apenas a visitação ou as pesquisas científicas – ou de uso sustentável, onde podem ser realizadas outras atividades, como a pesca, desde que aconteça de forma não prejudicial ao ambiente.

E você sabe a diferença entre preservar e conservar? As unidades de proteção integral, por exemplo, preservam a natureza, não permitindo o uso dos recursos, e, portanto, mantendo as condições mais naturais possíveis do ambiente – um exemplo é a Reserva Biológica de Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte. Já as unidades de conservação de uso sustentável, como as reservas extrativistas e áreas de proteção ambiental, conservam a natureza, ou seja, permitem o uso regrado e planejado de recursos naturais, e, em algumas, até mesmo com a participação da população que pode ajudar na proteção. Temos como exemplo a Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte.

Para diminuir os impactos da ação humana na natureza, há muito a ser feito. Temos visto verões cada vez mais quentes, o pescado reduzindo e os peixes cada vez mais contaminados. Para enfrentar esses desafios, podemos começar por atitudes simples e diárias, como o consumo consciente do nosso alimento e dos nossos bens materiais.

Não esqueça: o planeta é um só, e as áreas preservadas são o cofrinho onde mantemos nossos tesouros naturais guardados para que não nos faltem no futuro.


Tássia Biazon
Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano
Universidade de São Paulo  

Tito Monteiro Lotufo
Instituto Oceanofráfico
Universidade de São Paulo

Matéria publicada em 24.01.2023

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