A rainha das rochas

Foto Elton M. C. Leme

Nome popular: Bromélia-imperial
Espécie: Alcantarea imperialis
Tamanho: Entre 3 a 5 metros de altura (quando florida)
Classificação: Vulnerável

A bromélia-imperial é tão grande e bonita que parece a rainha das pedras das montanhas! Ela vive sobre as encostas rochosas das montanhas do estado do Rio de Janeiro, principalmente na Serra dos Órgãos. Pode ser vista também em parte de Minas Gerais, na Serra da Mantiqueira.

Essa bromélia cresce bem no alto, entre 800 e 1.800 metros de altitude. Suas folhas são verdes, geralmente com detalhes em tom de vinho. Muito vistosa, pode chegar a cinco metros de altura, e, por isso, não tem como não ver essa planta, porque ela realmente chama a atenção das pessoas.

Não foi à toa que a bromélia-imperial ganhou esse nome popular tão pomposo. Apesar de ser uma planta natural do Brasil, ela foi descrita em 1888, a partir de uma planta cultivada no Museu de História Natural de Paris, na França.

O nome científico Alcantarea imperialis é uma homenagem ao imperador do Brasil Dom Pedro II. Por conta da sua beleza, essa majestade do mundo verde já sofreu muita exploração. Há mais de 100 anos, pessoas retiram bromélias-imperiais da natureza para enfeitar seus jardins particulares.

Casa na bromélia

A bromélia-imperial é uma espécie que vive sobre rochas. Cresce aos montes, onde bate muito Sol. Nesses ambientes rochosos, chamados de inselbergues, onde quase não tem água, essas plantas são muito importantes. Suas folhas crescem juntas e formam uma roseta (que é como uma bacia) onde conseguem guardar até 40 litros de água.

A água da bromélia-imperial é de grande ajuda para muitos animais: fornece abrigo, comida e local para reprodução. Alguns anfíbios, como pererecas, vivem nestes microambientes, e podem passar a vida nesses pequenos “laguinhos”.

À noite, a bromélia-imperial abre dezenas de flores, que atraem e são visitadas por morcegos. Enquanto se alimentam do néctar, esses morcegos realizam a polinização, ajudando a planta a se reproduzir. Por isso, retirar essas plantas da natureza causa um grande impacto para toda a vida que depende dela. Afinal, a bromélia-imperial é uma espécie-chave para o equilíbrio do ecossistema!

Jardim das bromélias

Por ter uma beleza única e por crescer em ambientes quentes típicos do Brasil, a bromélia-imperial é um símbolo do paisagismo tropical. Ela está presente em jardins de várias partes do país e do mundo. Mas não podemos esquecer que essa planta está na lista de espécies ameaçadas de extinção.

Embora, na natureza, a bromélia-imperial ocorra em áreas protegidas, como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, a Reserva Ecológica de Macaé de Cima, o Parque Estadual dos Três Picos – todos no Rio de Janeiro –; e também no Parque Estadual do Ibitipoca, em Minas Gerais, ela enfrenta sérios riscos. Incêndios descontrolados e a retirada ilegal continuam ameaçando sua sobrevivência. Seu valor ornamental faz com que muitos indivíduos adultos sejam retirados da natureza para venda. E, se nenhuma ação de preservação for tomada, essa bromélia poderá desaparecer.

Embelezar sem destruir

Embora a bromélia-imperial tenha sofrido muita exploração ilegal ao longo dos séculos, hoje ela é amplamente reproduzida em viveiros especializados e é a bromélia brasileira mais utilizada no paisagismo, que é a arte de planejar ambientes naturais.

Cientistas estudam maneiras de melhorar a sua reprodução para atender ao mercado de plantas ornamentais sem prejudicar suas populações naturais. Por isso, para cultivá-la é preciso verificar sua origem e nunca comprar plantas retiradas da natureza. Afinal, vimos que muitas outras espécies dependem dela, não é mesmo?

Dayvid Rodrigues Couto,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal
Universidade Federal do Espírito Santo
Talitha Mayumi Francisco,
Instituto Nacional da Mata Atlântica

Matéria publicada em 02.02.2026

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