Formiga-infernal

Inseto que viveu onde hoje é o Nordeste do Brasil tinha mandíbulas que grampeavam suas presas.

Formiga-infernal
Reprodução artística de como a formiga-infernal-do-crato teria sido em vida.
Ilustração Nato Gomes

Ficha técnica

Nome: formiga-infernal-do-crato (Vulcanidris cratensis)

Origem: Chapada do Araripe, Nordeste do Brasil

Tamanho: 1,35 centímetros

Peso: 50 miligramas

Época em que viveu: entre 115 e 113 milhões de anos atrás (período Cretáceo)

Muito antes de os mamíferos se tornarem diversos e abundantes, dinossauros, pterossauros e outros répteis gigantes dominavam o planeta. Os insetos que viviam junto com esses animais também eram diferentes dos que vemos atualmente. As formigas são um bom exemplo. Uma das mais interessantes daquela época é a formiga-infernal-do-crato, cujos hábitos deviam causar calafrios às presas que ela caçava!

Mais velha que o T. Rex!

Cerca de 30 milhões de anos antes de o famoso tiranossauro Rex dar seus primeiros passos na Terra, há 113 milhões de anos, no período Cretáceo, as formigas-infernais já marchavam pela região onde hoje se localiza o Nordeste do Brasil.

Foi lá, na Chapada do Araripe, no Ceará, um dos maiores depósitos de fósseis do planeta – onde foram encontradas várias espécies de pterossauros, dinossauros, peixes, libélulas e outros animais –, que se descobriu também a formiga-infernal-do-crato.

Mandíbulas potentes

Diferentemente das formigas atuais, a formiga-infernal-do-crato tinha mandíbulas afiadas apontadas para a frente e para cima, como pinças fatais. Cientistas acreditam que ela usava essas estruturas para grampear suas presas, levando o banquete para alimentar suas larvas no ninho.

Um fóssil semelhante, encontrado no sudeste da Ásia, mostra uma formiga parecida perfurando uma larva com suas mandíbulas em um golpe mortal. Além disso, essas formigas tinham um ferrão bem desenvolvido, o que devia causar grande dor em suas vítimas.

Anderson Lepeco,
Laboratório de Entomologia,
Departamento de Zoologia,
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Matéria publicada em 02.11.2026

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