Gigante nadador

Dia desses aqui na redação, Rex estava se gabando por pertencer à maior espécie de dinossauro carnívoro conhecida: o Tyrannosaurus rex. Antenado como sempre, Zíper foi logo dizendo ao amigo que gigante mesmo é o espinossauro, réptil que acaba de ter seus fósseis encontrados e, com 15 metros de comprimento, é 2 metros e meio maior do que o T. rex. Além de grandalhão, o bicho tinha o corpo de um exímio nadador e é o único dinossauro semiaquático encontrado até agora.

Após o bombardeio do museu alemão, sobraram apenas desenhos dos fósseis coletados por Ernst Stromer. (imagem: Domínio Público)

Após o bombardeio do museu alemão, sobraram apenas desenhos dos fósseis coletados por Ernst Stromer. (imagem: Domínio Público)

Rex ficou chateado por perder o título de carnívoro gigante, mas não resistiu à curiosa história da descoberta do Spinosaurus aegyptiacus, nome científico do animal. É que seus fósseis já tinham sido encontrados no Egito pelo paleontólogo alemão Ernst Stromer, em 1912. Mas, em 1944, uma tragédia aconteceu: antes que o pesquisador pudesse estudá-los, o museu alemão que guardava os fósseis foi bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial. Triste, não é?

Mas não precisa chorar pelos fósseis bombardeados. O paleontólogo Nizar Ibrahim, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, é um grande fã do trabalho de Ernst e conseguiu recuperar as informações sobre o espinossauro. Tudo aconteceu por acaso quando Nizar viajou para a região de Kem Kem, no Marrocos. Lá, ele conheceu um homem que lhe mostrou um fóssil e perguntou a que espécie pertencia. O paleontólogo não soube responder, mas guardou o exemplar em uma universidade.

Tempos depois, Nizar foi para a Itália a convite de alguns pesquisadores que tinham encontrado um fóssil de dinossauro e não conseguiam identificar a qual bicho pertencia nem sabiam onde tinha sido coletado. E é aí que a história se completa: o pesquisador percebeu que aquele fóssil era semelhante ao que o homem tinha lhe mostrado no Marrocos!

A partir daí, Nizar não sossegou e foi atrás do homem pedir que lhe contasse onde havia encontrado o tal fóssil. Lá, o paleontólogo achou diversos fragmentos de ossos e dentes que, ao reunir com os outros fósseis que tinha em mãos, completavam boa parte do esqueleto de um S. aegyptiacus. Finalmente o mistério foi resolvido!

O espinossauro recebe esse nome por ter em seu dorso estruturas semelhantes a espinhos. (foto: Mike Hettwer / <a href= http://ngm.nationalgeographic.com/2014/10/spinosaurus/mueller-text> National Geographic</a>)

O espinossauro recebe esse nome por ter em seu dorso estruturas semelhantes a espinhos. (foto: Mike Hettwer /
National Geographic
)

“Trabalhar no Saara não é fácil”, disse Nizar à CHC Online. “Tempestades de areia, escorpiões e cobras dificultam a escavação. Mas é um dos lugares mais bonitos e espetaculares do planeta e a descoberta do espinossauro foi quase uma história de detetive”, brinca o pesquisador.

Adaptado a viver embaixo d’água

Depois de tanto trabalho duro, Nizar estudou os fósseis com cuidado e recriou o animal digitalmente. Com isso, foi possível identificar características que comprovam que o espinossauro era um dinossauro semiaquático, ou seja, vivia boa parte do tempo dentro da água, semelhante aos jacarés de hoje em dia.

“Mandíbulas e dentes adaptados para fechar rapidamente sob a água e segurar a presa escorregadia, ossos compactos e densos capazes de flutuar e pés adaptados para remar são algumas características dos espinossauros”, explica o cientista. Segundo o pesquisador, esse dinossauro se alimentava de tubarões e outros peixes.

O espinossauro é o único dinossauro semiaquático encontrado até hoje. (foto: Kabacchi / Flickr / <a href=https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/>CC BY 2.0</a>)

O espinossauro é o único dinossauro semiaquático encontrado até hoje. (foto: Kabacchi / Flickr / CC BY 2.0)

Pelo tamanho do bicho, dá para imaginar a quantidade de alimentos necessária para matar sua fome. “É sempre difícil estimar o peso de um dinossauro, mas o espinossauro provavelmente pesava entre 6 e 7 toneladas”, conta Nizar.

Mas, se você está achando estranho um animal que se alimenta de peixes ser encontrado em pleno deserto, saiba que há quase 100 milhões de anos, época em que o espinossauro viveu por lá, o Saara era muito diferente. “O local tinha grandes rios cheios de peixes, predadores semelhantes a crocodilos, répteis voadores e tartarugas”, completa Nizar.

Matéria publicada em 30.09.2014

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Nossa, fiquei surpreendida em saber que o Saara tinha peixes e outros animais marinhos, antigamente!

    Publicado em 3 de novembro de 2018 Responder

  • Tauros

    o ispino e o meu dinossauro preferido

    Publicado em 20 de agosto de 2020 Responder

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Mariana Rocha

Cresci gostando de fazer descobertas para escrever sobre elas. Na CHC consigo ser curiosa e escritora, tudo ao mesmo tempo!

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