O verão

Sou o verão ardente:
Que, vivo e resplendente,
Acaba de nascer;
Nas matas abrasadas,
O fogo das queimadas
Começa a se acender.

Tudo de luz se cobre…
Dou alegria ao pobre;
Na roça, a plantação
Expande-se, viceja,
Com a vinda benfazeja
Do próvido verão.

Sou o verão fecundo!
Nasce no céu profundo
Mais rutilo o arrebol
A vida se levanta…
A natureza canta…
Sou a estação do sol!

Olavo Bilac

Ilustração Mariana Massarani

Olavo Bilac nasceu em 1865, no Rio de Janeiro, e morreu em 1918, na mesma cidade.  Estudou medicina e direito, mas foi reconhecido como um dois mais importantes escritores do nosso país. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e escreveu poemas que faziam sucesso também entre as crianças. De sua obra Poesias Infantis, retiramos O Verão.

Viceja: vivo, exuberante

Benfazeja: boa, que faz o bem

Próvido: que oferece, que dá

Rutilo o arrebol: se põe no horizonte

Matéria publicada em 21.01.2019

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