Longe de casa

Alguns animais e plantas vivem fora da natureza para que suas espécies possam viver por muito mais tempo em seus ambientes naturais.

O que devemos fazer para preservar espécies de plantas e animais e livrá-las do risco de extinção? A resposta parece fácil: basta conservar as áreas naturais onde as espécies ocorrem e elas estarão seguras. Muito bem! Esta é a estratégia ideal de preservação da biodiversidade. Afinal, quando protegemos uma área verde, na forma de um parque ou uma reserva, por exemplo, preservamos não apenas as espécies que ali vivem, mas também seus hábitats e modos de vida. Porém, para algumas espécies, esta estratégia pode não ser suficiente. Muitos animais e plantas precisam ser monitorados de perto, em ambientes não naturais como  criatórios, hortos e centros de pesquisa.. Esta atitude tem benefícios para os outros indivíduos que estão soltos na natureza.

Como é possível conservar a natureza fora da natureza? A verdade é que, por mais esforços que façamos para proteger uma área natural, os seres que vivem ali sempre estarão sujeitos a perigos difíceis de evitar, como o surgimento de doenças, catástrofes ambientais e alterações climáticas. Por esse motivo, pode ser muito importante, principalmente para espécies raras ou mais vulneráveis, manter indivíduos em ambiente que, embora sejam artificiais, são mais facilmente controlados. Essa estratégia leva o nome de conservação ex situ, que em latim quer dizer “fora do seu lugar próprio”.

Os indivíduos mantidos em condições não naturais servem como um tipo de “estoque da biodiversidade”, a ser utilizado em situações especiais, como quando aqueles que restaram na natureza já não são suficientes para cumprir esse papel. Plantas e fungos podem ser cultivados em hortos e jardins botânicos com essa finalidade, enquanto zoológicos, aquários e criatórios podem ajudar na conservação das espécies animais.

A perereca-de-Alcatraz (Ololygon alcatraz) está criticamente ameaçada de extinção e, até o momento, é o único anfíbio brasileiro que faz parte de um projeto de conservação ex situ. Ela também é a estrela desse vídeo
Foto Cybele Lisboa
Os bancos de semente são parte importante dos programas de conservação ex situ de espécies vegetais.
Foto Vinícius São Pedro

As espécies ameaçadas são as que mais se beneficiam dos programas de conservação ex situ, sendo que algumas dependem exclusivamente desse tipo de estratégia. É o caso daquelas espécies que já foram extintas na natureza, como a ararinha-azul e o mutum-de Alagoas, aves cujos últimos indivíduos sobreviventes estão em criatórios. Dedos cruzados para que tudo dê certo!


vinicius

Vinícius São Pedro,
Centro de Ciências da Natureza,

Universidade Federal de São Carlos

Nasci na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, num tempo em que as crianças brincavam muito na rua. Tive uma infância bem feliz, sonhava em ser jogador de futebol. A paixão pelos bichos, no entanto, venceu a bola. Hoje sou professor, apaixonado pela ciência e com um sonho: que haja um clube de ciências em cada escola do nosso país.

Matéria publicada em 21.10.2019

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