Ilustração Elcerdo

Quem vê uma competição de judô hoje em dia pode não imaginar tudo o que está por trás desse esporte e toda a história que ele tem. Na verdade, o judô é uma arte marcial japonesa que surgiu em 1882 e só depois passou a ser considerado um esporte. Por isso, mais do que ser um/a atleta, o/a judoca carrega a responsabilidade de dar continuidade a essa arte centenária.

O judô não é apenas um conjunto de técnicas de luta, sabia? Para além da prática e da competição, ele é um estilo de vida, um verdadeiro jeito de ser! O seu criador, Jigoro Kano, era também um filósofo. Ele incluiu nessa arte marcial uma série de comportamentos que todo praticante precisa seguir. Além de ser forte e se tornar mestre na luta, o/a judoca deve praticar valores como cortesia, coragem, honestidade, respeito e autocontrole.

Esses são ensinamentos que o/a judoca leva para a vida. Foi assim com Sarah Menezes, atleta campeã pelo Clube de Regatas do Flamengo e pela seleção brasileira. “Todo esporte cobra isso, mas o judô exige muita disciplina. Respeito e disciplina. Os princípios do judô, eu acho, são os mais exigentes”, diz.

Para se tornar atleta de judô, é preciso muita dedicação! Sarah começou a praticar aos 9 anos. Hoje, com 29 anos, ela tem uma rotina de treinos intensa, quase diária. “Faço preparação física e técnica. Na parte da manhã, eu faço fisioterapia, à tarde, faço musculação e à noite, treino judô”, explica. Afinal, não é fácil ser uma campeã olímpica! Ela ganhou a medalha de ouro em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres.

Sarah Menezes
Divulgação

Em sua rotina, os/as atletas também precisam se preocupar com a balança, porque, nos torneios, os competidores são separados em categorias diferentes, de acordo com o peso. Os atletas só podem lutar com adversários que têm peso parecido, para ninguém levar vantagem. Se na hora da competição o/a atleta está acima do peso da sua categoria, não pode lutar. Para Sarah, esse é um desafio tão grande quanto derrubar a adversária no tatame. “Lidar com o peso é a parte mais difícil, já que eu preciso me enquadrar na categoria que eu luto. Eu preciso ficar o tempo todo de olho na balança”, conta.

O dia a dia de um atleta profissional é duro, mas nem por isso os estudos ficam de lado. Na verdade, a escola e a faculdade ajudaram muito a carreira de esportista de Sarah. Mesmo como judoca profissional, a rotina na sala de aula é como a de qualquer estudante. Recentemente, Sarah entrou em um curso oferecido pelo Comitê Olímpico Brasileiro para ajudar o/a atleta a se capacitar para continuar a trabalhar depois da aposentadoria.

Seja como atleta ou não, praticar judô é um ótimo caminho para ganhar mais qualidade de vida. Se a escolha for fazer do esporte uma profissão, o caminho será difícil, mas muito prazeroso. Sarah dá um conselho: “Eu digo para curtir bastante e aproveitar as oportunidades. E treinar com seriedade sempre. Treinar, treinar, treinar. Precisa treinar muito, ter muito foco, determinação diária e disciplina.”

 

Cathia Abreu,
Ciência Hoje das Crianças

Matéria publicada em 06.03.2020

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