A condenação de Galileu

O papa Urbano VIII, que ordenou que Galileu cumprisse pena de prisão e fizesse penitência

Em 22 de junho de 1633, saiu a sentença de Galileu Galilei: ele foi considerado culpado por crimes abomináveis. A pena seria cumprida nas masmorras do Santo Ofício. Galileu vestiu uma túnica branca, se ajoelhou e fez uma jura de que sempre acreditaria nos ensinamentos da Igreja, abandonaria a idéia do movimento da Terra ao redor do Sol e jamais diria tais coisas novamente. Histórias nunca confirmadas dizem que, quando se levantou, Galileu murmurou baixinho: “eppur si muove” (“e, no entanto, ela se move”).

Embora condenado à masmorra, o cientista passou os cinco primeiros meses da pena sob custódia do arcebispo da cidade italiana de Siena. Galileu sofreu muito com a condenação. Nessa época, a Igreja publicava uma lista com o nome dos livros proibidos de serem vendidos ou lidos. A obra de Galileu apareceu na lista em 1664, onde ficou por quase duzentos anos. Mas a publicação era vendida por altos preços fora da Itália, onde o poder da Igreja era menor.

Galileu passou várias noites em claro, e era comum ouvi-lo gritar, balbuciar e perambular distraído. O arcebispo chegou a pensar em amarrar os braços do cientista para evitar que ele se machucasse acidentalmente enquanto dormia.

O tempo passou e Galileu foi aos poucos superando o sofrimento com a condenação. Começou até a escrever um novo livro! Mas dessa vez, ele deixou de lado os motivos pelos quais as coisas se moviam e estudou como o faziam. Por exemplo, como os limões caem dos limoeiros? E como são disparadas as balas de canhões?

Corriam boatos em Roma de que a prisão de Galileu, em Siena, era parecida com férias. O Santo Ofício decidiu então que ele devia limitar seus contatos sociais e afastar-se para sempre de qualquer atividade de ensino. Assim, ele podia voltar para Arcetri, onde tinha uma casa. Lá, ele não podia receber visitas que pudessem discutir idéias científicas, nem ir a lugar algum (exceto o convento vizinho). O papa também proibiu a reimpressão dos livros anteriores de Galileu, para garantir que suas obras desaparecessem aos poucos na Itália.

Após sair de Arcetri, Galileu voltou a sua casa em Florença, retratada acima em um mapa do século 16

Com o passar do tempo, Galileu ficou cego. Na noite de 8 de janeiro de 1642, ele morreu de uma febre acompanhada de dores nos rins. Seu desejo era ser enterrado perto do pai, na basílica principal da Igreja Franciscana de Santa Croce, onde havia várias capelas particulares com os túmulos de melhores famílias florentinas. Mas ele foi enterrado fora da Capela de Noviços da igreja, pois o papa considerou que qualquer homenagem em relação a Galileu seria uma ofensa à sua autoridade. Só em 1737, após a morte do papa, os restos mortais de Galileu foram levados para o jazigo de mármore de um monumento em sua homenagem.

Restos mortais
Nessa ocasião, foram retirados do corpo de Galileu Galilei uma vértebra, três dedos da mão direita e um dente. O dedo médio de sua mão direita está exposto até hoje no Museu de História da Ciência de Florença, na Itália.

Só em 1822, o Santo Ofício permitiu a publicação de livros que ensinassem o movimento da Terra, e em 1835, o Diálogo de Galileu foi excluído da lista de obras proibidas pela Igreja. A forma como o cientista foi tratado pela Igreja começou a ser revista com a ascensão do papa João Paulo II. Em 1982, ele ordenou a criação de grupos de estudos para investigar o caso do cientista. Em 1992, o papa endossou publicamente as descobertas de Galileu e afirmou que houve uma trágica incompreensão mútua entre a Igreja e o cientista.

Introdução | Problemas com a igreja…

Matéria publicada em 23.03.2001

COMENTÁRIOS

  • Pablo Melani Teixeira.

    Galileu Galilei não morreu na santa inquisição da igreja católica é todo falsas.

    Publicado em 29 de junho de 2018 Responder

  • Pablo Melani Teixeira.

    compartilhar no facebook.

    Publicado em 29 de junho de 2018 Responder

  • Anna Elise

    Adorei ler sobre Galileu Galilei!

    Publicado em 27 de abril de 2019 Responder

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Mara Figueira

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