Um castelo onde não há reis, mas cientistas

O Castelo Mourisco abriga a sede da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro (foto: Museu da Vida/COC/Fiocruz

Sabe onde é feita grande parte das vacinas, dos remédios e dos soros que combatem o veneno de cobras utilizados em nosso país? Em um lugar chamado Fundação Oswaldo Cruz!  Ali, cientistas realizam pesquisas sobre diversas doenças, como a dengue, buscando sempre uma forma de curá-las. “Procuramos resolver os problemas de saúde de muitas pessoas enfrentando até epidemias, ou seja, doenças que atacam um grande número de pessoas”, explica o presidente da instituição, Paulo Buss.

Em 2005, a Fundação Oswaldo Cruz – ou Fiocruz, como também é chamada – comemora 105 anos de existência. Hoje ela fabrica mais de 100 milhões de doses de vacinas e de soros. São essas vacinas produzidas pela Fiocruz que crianças do país inteiro, como você, tomam quando participam das campanhas de vacinação promovidas pelo governo para prevenir o sarampo, a febre amarela, a meningite e tantas outras doenças.

Além de uma imensa fábrica que produz remédios, vacinas e soros, a Fiocruz também é o local de trabalho de diversos cientistas que estudam os costumes das pessoas com o intuito de descobrir como elas podem prevenir doenças e acidentes em casa, no trânsito e no trabalho.

Agora que você já sabe o que é a Fiocruz, diga lá: onde ela fica? Acredite se puder, mas sua sede encontra-se no Rio de Janeiro, no alto de uma colina, em um castelo que chama a atenção por sua beleza. Muitos que passam pela movimentada avenida que existe à frente desse lugar já se perguntaram: ”quem viveu neste castelo? Será que foi um nobre?”.

Na verdade, não. Embora tenha uma decoração luxuosa, que lembra as residências dos reis e rainhas das histórias de conto de fadas, o Castelo Mourisco de Manguinhos, sede da Fiocruz, nasceu mesmo para abrigar cientistas. O prédio, que começou a ser construído no início do século passado, levou 13 anos para ficar pronto. Inspirado na arquitetura dos palácios árabes, apresenta 50 metros de altura, azulejos multicoloridos, mosaicos feitos de cerâmica que imitam tapeçaria e arcos em formato de ferradura.

Quem imaginou e desenhou esse castelo foi o médico Oswaldo Cruz , que tinha o sonho de transformá-lo em um “templo da ciência”. Para quem não conhece, Oswaldo Cruz foi um grande bacteriologista – um cientista que estuda bactérias –, que conseguiu controlar doenças como febre amarela e varíola, que atingiam grande parte dos habitantes do Rio de Janeiro por volta de 1903.

O Castelo Mourisco demorou 13 anos para ser construído e foi concluído no início do século XX (foto: J. Pinto -Depto. de Arquivo e Documentação/COC/Fiocruz)

No início, a Fundação Oswaldo Cruz se chamava Instituto Soroterápico Federal. Ela foi criada para fabricar vacinas e medicamentos capazes de combater essas e outras doenças sérias que atacavam as pessoas no início do século passado. Nesta época, a cidade do Rio de Janeiro estava ameaçada, por exemplo, pela peste bubônica, uma doença causada por uma bactéria e transmitida pela picada da pulga. Convidado a trabalhar no instituto, Oswaldo Cruz bolou uma estratégia para acabar com a doença na cidade – que incluía a compra de ratos recolhidos pela população! – e que teve grande sucesso.

Mas a Fiocruz não funciona apenas no castelo localizado no Rio de Janeiro. Ela tem mais 15 unidades espalhadas pelo país. Em cada estado, os pesquisadores trabalham com os problemas de saúde típicos da região. Na Amazônia, por exemplo, eles estudam a malária, uma doença transmitida por mosquito, muito comum entre a população.

 

Matéria publicada em 29.07.2005

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