Um barato de inseto

Pense em alguma característica positiva das baratas. À primeira vista, pode parecer difícil, não é mesmo? Afinal, esses insetos têm uma péssima reputação entre a maioria das pessoas. Essa má fama vem do hábito que muitas espécies têm de viver em lugares sujos como esgotos e de frequentar nossas casas sem serem convidadas. Mas, acredite: as baratas são muito importantes para o ambiente, podem dar origem a remédios e, para completar, ainda são insetos campeões de velocidade!

A barata-de-esgoto é muito comum nas cidades (fotos: Roberto Eizemberg).

Gulodice que faz bem ao planeta
Para as baratas, quase tudo é visto como comida. A matéria orgânica em decomposição — como restos de animais e de vegetais — é uma das guloseimas que fazem parte do seu cardápio pouco exigente. Por isso, esses insetos são muito importantes para a natureza. Afinal, atuam, de certa forma, como autênticas faxineiras, promovendo uma limpeza — ou reciclagem — no ambiente, ao comerem o que muitas vezes consideramos apenas lixo.

Um exemplo de barata que vive fora do ambiente urbano (foto: Roberto Eizemberg).

Insetos que podem voar, nadar e… ser bonitos!
Quando você pensa em barata, provavelmente a imagem que vem à sua cabeça é a da Periplaneta americana, a barata-de-esgoto, uma das espécies mais comuns nos ambientes urbanos. Mas é fora das grandes cidades que muitas baratas vivem.

“Aqui no Brasil existem muitas espécies silvestres, com formas e hábitos curiosos”, conta Roberto Eizemberg, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Seu tamanho pode variar de poucos milímetros a dez centímetros. Algumas têm cores que as tornam mais atraentes, outras têm duros e afiados ‘espinhos’ em suas pernas. Há as que voam com tanta facilidade como uma borboleta e as que nadam com grande destreza.” Sem falar nas que se associam com cupins ou formigas, abrigando-se em seus ninhos, onde, em contrapartida, oferecem o que fazem de melhor: seus serviços de reciclagem de “lixo”!

Fabricantes de remédio
Mas não é só. Você sabia que um estudo recente, apresentado em setembro pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra conseguiu separar, no cérebro de uma espécie de barata, várias moléculas que têm a capacidade de combater bactérias resistentes a antibióticos, além de serem pouco tóxicas para o ser humano? Essas moléculas podem, em breve, dar origem a um novo medicamento.

Assista ao vídeo e conheça alguns inimigos das baratas!

 

Mestres na arte de se esconder
As baratas são especialistas em escapar do perigo. Para você ter uma ideia, suas pernas são preparadas para correr, o que faz com que esses bichos estejam entre os insetos terrestres mais velozes de todos. Antigas habitantes da Terra, antes mesmo de os dinossauros existirem, elas já eram encontradas por aqui. Por essas e outras, muita gente por aí diz que esses insetos sobreviveriam até se uma bomba nuclear fosse lançada e destruísse toda a vida do planeta. Será?

As baratas colocam seus ovos em uma cápsula protetora chamada ooteca, que parece uma bolsa fechada e que pode abrigar até 50 ovos de uma só vez (foto: Roberto Eizemberg).

De fato, segundo os especialistas, é bem provável que as baratas não morressem em um evento como esse, mas não porque possuem poderes de super-heróis, mas sim por causa do local onde vivem. “Por ficarem escondidas em galerias de esgoto, elas estariam mais protegidas durante o ataque e assim teriam mais chances de sobreviver”, conta Roberto Eizemberg

Depois de ler tudo isso, aposto que a sua opinião sobre esses insetos mudou, não é? Nem que seja um pouquinho!

Matéria publicada em 04.01.2011

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Existe barata branca?

    Publicado em 28 de outubro de 2018 Responder

  • Josefa Beatriz

    Achei bem interesante

    Publicado em 20 de outubro de 2020 Responder

  • Mayara

    Gostei muito do que você fizeram sobre as baratas eu queria que você estivesse em uma revista sobre as lagartixa porque ela porque essa geladas

    Publicado em 5 de agosto de 2022 Responder

Fernanda Turino

Sempre fui muito curiosa, adorava brincadeiras ao ar livre e acampar (fui até escoteira!). Cresci lendo a CHC e hoje trabalho aqui.

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