Parabéns, seu pedido chegará em mil anos!

Uma mochila, uma capa para o celular, um sapato, um sofá… Fazer pedidos de todo tipo de produtos do outro lado do mundo e recebê-los em casa, em pouco tempo, já é uma realidade. O que facilita o ir e vir de pacotes de mercadorias entre os mais diversos lugares é o transporte por aviões e… via navegação pelos oceanos! Mas… e quando o “pacote” vem da natureza? Bom, neste caso, já não podemos contar com muita rapidez. Sem falar que o pacote pode ser invisível e viajar por diferentes “transportadoras” ao mesmo tempo. Essa conversa, que parece sem pé nem cabeça, começa a fazer sentido quando a gente descobre que o calor é um bom exemplo de pacote natural que precisa ser entregue. Pegue o leque e venha com a gente!

Parabéns, seu pedido chegará em mil anos!
Ilustração Walter Vasconcelos

O oceano funciona como uma transportadora muito eficiente, capaz de realizar entregas em qualquer lugar do planeta. Mesmo longe dele, nenhum endereço fica de fora. O pacote dessa história, você já sabe, é o calor: algo que não conseguimos ver, mas conseguimos sentir e medir, usando instrumentos como o termômetro.

Para começar, o calor que circula na Terra vem do Sol. Ao atravessar a atmosfera, parte dele penetra na superfície do oceano. E aí, duas transportadoras entram em ação: o ar e o próprio oceano. O ar funciona como um serviço de entrega expressa, que chega rapidinho e a gente logo sente. Já o oceano, alvo do nosso interesse aqui, é especializado no transporte do calor para zonas de difícil acesso, como as profundezas oceânicas.

Expresso oceano

Quando o calor chega à superfície do mar, ele pode penetrar até cerca de 140 metros de profundidade ou ter “problemas na recepção” e ser redirecionado para a outra transportadora, o ar. O calor que permanece no oceano entra em um grande cinturão, uma espécie de “esteira transportadora”– como aquelas onde deixamos nossas malas no aeroporto –, que se movimenta pelos diferentes oceanos tanto na superfície como nas camadas mais profundas.

Essa esteira nada mais é do que o conjunto de massas de água e correntes marinhas. Sim, é preciso explicar que uma massa de água é um volume de água com características de temperatura e densidade que dificultam sua mistura. Quando essa massa se movimenta, pode então ser considerada uma corrente. Águas quentes chegam, por exemplo, à Noruega, país da Europa, que tem mares que se conectam com os oceanos Atlântico e Ártico, e aquecem a atmosfera. A perda de calor faz com que essas águas fiquem mais densas e afundem, iniciando sua viagem pelas profundezas até a Antártida.

Daniela Yomaira Rojas Sánchez,
Laboratório de Protozoologia
Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação da Natureza
Universidade Federal de Juiz de Fora

Miguel Diego Gómez Sánchez,
Subdireção de Desenvolvimento Marítimo
Direção Geral Marítima – Bogotá-Colômbia