Preguiças gigantescas

Reconstrução de uma preguiça da espécie Nothrotherium maquinense

Quando a gente ouve falar de preguiça, pensa logo naquela moleza que nos deixa sem ânimo para estudar e brincar. Mas deixe essa sensação de lado, pois a preguiça aqui é outra. Trata-se de um animal que tem pêlos longos e grossos, patas muito desenvolvidas e cauda, chamado assim por causa de seus movimentos lentos. Juntamente com os tatus e os tamanduás, as preguiças são mamíferos que fazem parte da ordem Xenarthra.

Hoje, as preguiças vivem no alto de árvores, como muitos macacos. Porém, há aproximadamente 12 mil anos, existiam, no Brasil, preguiças enormes, que chegavam a ter o tamanho de um elefante. Elas são chamadas preguiças terrícolas, porque, ao contrário das que restaram (denominadas arborícolas), viviam na terra.

O primeiro esqueleto de preguiça terrícola foi encontrado em 1787, na cidade argentina de Luján e mandado para a Espanha, onde havia sido construído um novo museu: o Real Gabinete de História Natural de Madri. Diante do tamanho dos ossos, os espanhóis concluíram que o animal só poderia ser um elefante sul-americano. Mas eles estavam enganados…

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Xenarthra é uma categoria de mamíferos que teve sua origem e desenvolvimento na América do Sul. As preguiças (terrícolas e arborícolas), os tatus e os tamanduás pertencem a essa ordem. Eles possuem características que os diferenciam de qualquer outro mamífero, como a presença de uma espécie de “casca” que protege o corpo, chamada carapaça, que pode ser rígida ou com placas articuladas.
Os xenartros têm poucos dentes, que crescem durante toda a vida e não possuem a camada de esmalte comum aos outros mamíferos. Suas vértebras são presas aos ossos da cintura, formando uma única peça. Além disso, os ossos dos xenartros não possuem cavidade medular, um espaço interno que os deixa ocos. Assim como os dos mamíferos aquáticos, seus ossos são compactos.
Uma das características desses animais acabou dando origem ao nome do grupo: como suas vértebras têm mais articulações que as dos outros mamíferos, eles foram incluídos na ordem Xenarthra , que significa “articulação estranha”.

Mais tarde, o anatomista francês Georges Cuvier, diretor do Museu de História Natural de Paris, identificou o esqueleto como o de uma preguiça, que recebeu o nome científico de Megatherium americanum (grande animal selvagem americano). A partir daí, espécies de vários tamanhos foram descobertas, inclusive pelo importante naturalista inglês Charles Darwin.

As espécies de preguiças terrícolas conhecidas são agrupadas em três famílias: megaterídeos, milodontídeos e megaloniquídeos. Os megaterídeos eram as preguiças gigantes – o tal “elefante sul-americano”, que não era elefante. Os milodontídeos eram um pouco menores que os megaterídeos. Já os megaloniquídeos foram as menores preguiças encontradas.

Esqueleto de uma preguiça terrícola

No Brasil, os primeiros achados de esqueletos de preguiças foram feitos em 1835 na Gruta de Maquiné, em Cordisburgo (MG). Eram poucas peças da menor preguiça da família dos megaloniquídeos, que tinha o tamanho de uma ovelha. Hoje, já foram identificadas no país 13 espécies de preguiças terrícolas. Dessas, nove viveram no cerrado brasileiro, onde a vegetação é caracterizada por árvores baixas e retorcidas. Apesar de dividirem o território, essas espécies não competiam diretamente pelo mesmo alimento. Seus vários tamanhos e características faziam com que tivessem diferentes hábitos alimentares. Mas, como os dinossauros, as preguiças terrícolas se extingüiram. Hoje, só podemos observar seus esqueletos em museus e, com base em algumas informações dos pesquisadores, usar a criatividade para imaginar como eram esses animais gigantes.

Matéria publicada em 20.05.2001

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Eu já vi um esqueleto de preguiça gigante e achei demais!

    Publicado em 2 de junho de 2019 Responder

Redação

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