Parcerias curiosas

Você já deve ter visto desenhos animados e filmes que mostram amizades curiosas entre bichos de espécies totalmente diferentes. O que você talvez não saiba é que esse tipo de relação improvável também acontece na vida real. Pesquisadores de todos os cantos do mundo têm estudado esses relacionamentos, descobrindo casos bastante singulares de animais que ajudam uns aos outros na natureza.

Um exemplo é a descoberta feita pelo biólogo Domingos Garrone, da Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (Unesp). Ele mergulhava no Rio Paraná quando notou uma movimentação estranha ao observar algumas raias e percebeu que havia algo em seu dorso: nada mais nada menos do que camarões de água doce, animais que servem de alimento para esses peixes.

As setinhas brancas indicam os camarões de água doce no dorso das raias, que permanecem enterradas na areia. (foto: Domingos Garrone)

As setinhas brancas indicam os camarões de água doce no dorso das raias, que permanecem enterradas na areia. (foto: Domingos Garrone)

“Descobrimos que os camarões aproveitam o fato da raia estar em menor atividade durante o dia, já que ela é mais ativa à noite, para se alimentar de muco e tecido morto encontrado sobre elas”, conta Domingos. “As raias também ganham com essa relação, pois os camarões removem tecido morto e parasitas, além de ajudarem na cicatrização de ferimentos”. Os cientistas chamam essa relação em que todos saem ganhando de mutualismo.

Jacarés, tartarugas e preguiças

Outra relação curiosa entre animais foi descoberta pelo biólogo Fábio Maffei, também da Unesp, quando ele estava em Oiapoque, no Amapá, estudando um tipo de tartaruga conhecido como tracajás. “Ficamos curiosos ao encontrar ovos de tracajás em um ninho de jacaré”, recorda. “Parece que este foi um caso único: na época em que a tracajá foi colocar seus ovos, a savana estava toda alagada e o único local seco em que ela poderia fazer isso era o ninho do jacaré”.

A espécie conhecida popularmente como tracajá apresenta o casco geralmente de um tom azul escuro com manchas amarelas. (foto: Flickr / Karla Vidal /<a href= http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/br/( CC BY 2.0(/a>)

A espécie conhecida popularmente como tracajá apresenta o casco geralmente de um tom azul escuro com manchas amarelas. (foto: Flickr / Karla Vidal /(a href= http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/br/) CC BY 2.0)

Mas não pense que essas relações inusitadas só acontecem no Brasil. Outro caso interessante foi descoberto por pesquisadores norte-americanos nas florestas da Costa Rica e envolve uma colaboração entre um mamífero chamado preguiça-de-bentinho e as traças.

Segundo o entomologista e coautor da pesquisa Shawn Steffan, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, as preguiças-de-bentinho ficam em cima de árvores a maior parte do tempo, descendo apenas para fazer cocô uma vez por semana. As traças, que vivem embaixo do pelo desse animal, vão junto.

A chamada preguiça de bentinho se alimentam de algas que crescem em sua própria pele com a ajuda de traças. (foto: Wikimedia Commons/ G.dallorto/ <a href= http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5/it/deed.en>CC-BY-SA-2.5-it</a>)

A chamada preguiça de bentinho se alimentam de algas que crescem em sua própria pele com a ajuda de traças. (foto: Wikimedia Commons/ G.dallorto / CC-BY-SA-2.5-it)

“Acontece que as traças colocam seus ovos nas fezes da preguiça, suas larvas se alimentam desses detritos para crescer e voam de volta até sua colônia, no pelo da própria preguiça”, explica Shawn. “A preguiça também ganha com essa relação: quando as traças no pelo do animal morrem, suas carcaças ajudam o crescimento de algas, que servem de alimento para a preguiça!”.

Impressionantes essas parcerias não é mesmo? E você, conhece mais alguma?

Matéria publicada em 01.09.2014

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Quando eu estava no primeiro ano, tinha um texto no meu livro, e estava dizendo que um sapo havia salvado um rato que tinha quase se afogado.

    Publicado em 2 de julho de 2018 Responder

Isabelle Carvalho

Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

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