O mundo imaginário de Andersen

Hans Christian Andersen escreveu 156 contos para crianças. Depois do grande sucesso que obteve com a publicação do primeiro livro de histórias, em 1835, descobriu que seu verdadeiro talento estava na literatura infantil. Acredita-se que o autor tinha enormes dificuldades para conviver com os adultos, e que gostava mesmo era de ficar entre os jovens para brincar, ouvir e contar histórias divertidas. Talvez por isso, Andersen tenha desenvolvido a capacidade de criar mundos imaginários tão fascinantes ao universo infantil — ele apenas representava o dia-a-dia das crianças em seus contos!


Antes dele, porém, no século 17, um francês chamado Charles Perrault já registrava fábulas destinadas à criançada. Na Alemanha, ainda anteriores a Andersen, os irmãos Grimm fizeram sucesso com as histórias infanto-juvenis que publicaram. Como pode então Andersen ser reconhecido como o primeiro autor da literatura infantil? Bem, porque de fato ele foi o primeiro a criar histórias para esse público. Até então, tais escritores passavam para o papel histórias já inventadas e contadas pelo povo oralmente, com o objetivo de registrá-las.

Como vimos, Andersen também costumava caçar histórias curiosas e esquisitas pelas ruas. Mas elas lhe serviam como fonte de inspiração para criar novas histórias. O grande barato nos contos do dinamarquês está no fato de ele atribuir aos seus personagens características marcantes de sua época. Andersen era do povo e, por isso, soube descrever exatamente os desejos da população em seus textos. Naquele tempo, as pessoas valorizavam as raízes de seu país, celebravam as conquistas individuais e a busca pela realização de seus sonhos — esse período foi chamado de Romantismo.

Não é à toa que o poeta e novelista escolheu personagens frágeis e desvalidos para ilustrar suas histórias: eles exaltavam o espírito individualista da época, isto é: mostravam que cada pessoa era diferente da outra! Se repararmos bem, tal como o patinho que era feio, o soldadinho de chumbo não era igual aos outros, pois tinha apenas uma perna. Já a pequena sereia se apaixonou por um ser humano, mas não podia viver fora d’água como ele, pois tinha uma cauda de peixe!

Andersen também se baseou na sua própria vida para criar os contos. Quando criança, era desengonçado e alto demais para a sua idade — o que provavelmente era motivo de riso entre seus colegas. Acredita-se que tenha se inspirado na sua infância para escrever O patinho feio. Você já deve conhecer o desfecho da história, não é mesmo? Bem, agora que conhece um pouco da vida deste autor, sabe também que tanto ele quanto o patinho tiveram um final feliz! Afinal não é todo dia que se é reconhecido como um dos maiores escritores da literatura infantil do mundo. Clique aqui e conheça um dos contos de Hans Christian Andersen!
 

Matéria publicada em 03.12.2002

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Eu já li contos desse escritor e amei!

    Publicado em 17 de novembro de 2018 Responder

Maria-Ganem

CONTEÚDO RELACIONADO

Um mergulho com os peixes

Acompanhe o final da aventura de Rex, Diná e Zíper e suas descobertas no fundo do mar.

Rex, Diná e Zíper em…

Um lanchinho para os peixes. É correto alimentar esses animais na natureza?