Ilusão ou realidade?

A pequena barata acorda e resolve dar uma voltinha pela floresta. Esta, porém, é uma floresta diferente das outras, pois não tem cor e nem cheiro. Na verdade, tudo não passa de uma enganação para o pobre inseto: as árvores são apenas uma imagem exibida numa tela, que faz parte de um aparelho montado por cientistas.

Barata diante de tela de realidade virtual

Diante da tela, a barata vê imagens de uma floresta e começa a passear por ela (Foto cedida pelo pesquisador)

Trata-se de um vídeo de realidade virtual, desenvolvido por pesquisadores para estudar o comportamento animal. Nesse tipo de tecnologia, usa-se um computador para reproduzir um mundo que se pareça muito com a realidade, de modo que o usuário – no caso, a barata – possa interagir com ele.

Funciona assim: o inseto é posicionado sobre uma bolinha e, à sua frente, há uma grande tela com a imagem da floresta. Mesmo sendo tudo de mentirinha, a barata procura os lugares mais escuros, exatamente como faria em uma floresta de verdade. Confira no vídeo abaixo:

Enquanto ela anda, eletrodos ligados à sua cabeça captam seus movimentos e medem a atividade cerebral. O objetivo é estudar como os neurônios se comunicam em algumas situações – por exemplo, quando a barata vê algo se movendo.

Segundo o físico que liderou a pesquisa, Mikko Vähäsöyrink, da Universidade de Oulu, na Finlândia, os insetos são bons modelos de estudo, pois apresentam comportamentos muito diversificados para um cérebro tão pequeno. “Além disso, os neurônios e seus componentes são muito parecidos em todo o reino animal”, explica Mikko. “Por isso, podemos estender os resultados que conseguirmos com as baratas a outros animais, até mesmo aos seres humanos”.

A realidade virtual representa um grande avanço para estudar o comportamento dos animais, já que seria impossível fazer um estudo como esses em seu habitat natural ou enquanto eles estivessem em movimento. No futuro, Mikko afirma que a equipe pretende incrementar a máquina para estimular outros sentidos além da visão, como o olfato.

Matéria publicada em 17.04.2012

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Paula-Padilha

Gosto de ciências desde criança e até fui cientista durante um tempo, mas troquei as pipetas e os tubos de ensaio por lápis e papel.

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