Fera da matemática

Você gosta de matemática? Muita gente acha essa matéria um pouco complicada, mas ela pode ser muito divertida. Para você se inspirar e entrar de cabeça nos números, vamos dar um belo exemplo: na semana passada, o matemático brasileiro Artur Ávila se tornou o primeiro latino-americano a receber a medalha Fields, maior premiação mundial de matemática e que é considerada uma espécie de prêmio Nobel desse campo.

O brasileiro Artur Ávila ganhou o maior prêmio mundial de matemática. (foto: Tim Gowers)

O brasileiro Artur Ávila ganhou o maior prêmio mundial de matemática. (foto: Tim Gowers)

A premiação aconteceu principalmente pelo trabalho do brasileiro com sistemas dinâmicos. Eu explico: já ouviu falar no efeito borboleta? De forma bem geral, ele avalia como ações muito simples, como o bater de asas de uma borboleta, pode gerar reações em série que produzam resultados de escala gigantesca, como uma tempestade do outro lado do mundo. Incrível, não é?

O brasileiro usa a matemática justamente para analisar esse tipo de sistema caótico, em que perturbações mínimas podem mudar bruscamente seu comportamento. Esse tipo de estudo pode ajudar a compreender a evolução de epidemias e até a previsão do tempo! Viu como a matemática está em toda parte?

Para o matemático Marcelo Viana, pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, o prêmio de Artur reflete décadas de crescimento da matemática brasileira. O próprio Artur, que hoje se divide entre o Brasil e a França, fez grande parte de sua carreira por aqui, também no Impa – essa instituição, aliás, fica no Rio de Janeiro e tem fama internacional!

Concedida a cada quatro anos para matemáticos com menos de 40 anos, a medalha Fields nunca havia sido entregue a um sul-americano. (imagem: reprodução)

Concedida a cada quatro anos para matemáticos com menos de 40 anos, a medalha Fields nunca havia sido entregue a um sul-americano. (imagem: reprodução)

“Temos investido muito na formação de jovens talentos”, conta Marcelo. “A medalha mostra que é possível fazer ciência de alto nível no nosso país e ser feliz ao mesmo tempo, Artur é um modelo para os jovens com vocação científica.”

A medalha Fields é entregue a cada quatro anos pela União Internacional de Matemática (IMU) a pesquisadores com menos de 40 anos. Além do carioca, outros três pesquisadores também foram laureados esse ano, entre eles a iraniana, Maryam Mirzakhani, que se tornou a primeira mulher premiada. Vivam as mulheres na ciência!

A medalha Fields foi entregue durante o 27º Congresso Internacional de Matemáticos, em Seul, na Coreia do Sul. Esse evento também acontece a cada quatro anos e adivinhe só onde ocorrerá a próxima edição? Isso mesmo, no Brasil! Em 2018, o Rio de Janeiro recebe o maior encontro mundial da matemática, que nunca havia sido realizado no hemisfério Sul antes. Será uma oportunidade de ouro para conhecer esse mundo mágico dos números e o melhor é que você pode participar: a Sociedade Brasileira de Matemática lançou um concurso para a criação da mascote do evento, cujas inscrições vão até 30 de setembro! Quem sabe daqui a quatro anos não vemos de pertinho outro brasileiro ganhar mais uma medalha Fields?

Matéria publicada em 20.08.2014

COMENTÁRIOS

Marcelo-Garcia

Sou um curioso apaixonado por ciência e adoro quadrinhos e ficção científica. Quase virei cientista, mas preferi me dedicar a mostrar pra todo mundo que a ciência está em tudo ao nosso redor!

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