Feitas para assustar

É coisa de desenho animado: o vilão vai lá e constrói um monstrengo bem grande, que ajude a assustar seus inimigos. Entre os bichos não existe a luta do bem contra o mal, mas podemos observar estratégias semelhantes.

Aranhas do gênero Cyclosa são conhecidas por elaborarem estruturas estreitas e alongadas feitas de detritos, onde podem se esconder dos predadores. Recentemente, pesquisadores acreditam ter encontrado nas Filipinas e no Peru indivíduos de uma nova espécie capaz de criar réplicas de aranhas impressionantes.

Tradicional aranha do gênero <i>Cyclosa</i> escondida no meio de uma estrutura construída com restos de alimento e outros insetos. (foto: Malcolm NQ / Flickr / <a href=http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0>CC BY-NC-AS 2.0</a>)

Tradicional aranha do gênero Cyclosa escondida no meio de uma estrutura construída com restos de alimento e outros insetos. (foto: Malcolm NQ / Flickr / CC BY-NC-AS 2.0)

Elas usam restos de alimento, detritos vegetais ou corpos de outros insetos mortos e presos em sua teia para construir uma aranha gigante. O bichão, muito maior que as verdadeiras aranhas que o construíram, espanta outros animais que estejam procurando um petisco para o lanche.

Segundo Antonio Domingos Brescovit, zoólogo do Instituto Butantan, a estratégia deve ser uma inteligente forma de defesa, ajudando a manter afastados seus predadores naturais. “Uma vespa, por exemplo, alimenta suas larvas com aranhas. Mas ela hesitará antes de atacar uma aranha aparentemente tão grande”, explica.

As possíveis novas espécies de aranha escondem-se no meio da réplica gigante delas mesmas, que constroem com detritos e animais mortos. (foto: Reprodução)

As possíveis novas espécies de aranha escondem-se no meio da réplica gigante delas mesmas, que constroem com detritos e animais mortos. (foto: Reprodução / SmarterEveryDay)

As versões parrudas criadas pela aranhas são ligeiramente diferentes em cada continente: a falsa aranha montada nas Filipinas tem as pernas apontando para todos os lados, enquanto a peruana tem as pernas apontando para baixo. A especificidade de suas construções e a diferença entre elas pode estar relacionada a fatores genéticos e evolutivos – uma questão que somente estudos futuros poderão esclarecer.

Outro grande mistério é como aranhas que vivem em locais tão distantes podem usar técnicas tão similares para se proteger. Acho que os pesquisadores ainda precisarão de muitos estudos para entender como essas pequenas aranhas se tornaram tão espertas e engenhosas, não é verdade?

Matéria publicada em 29.04.2014

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Isabelle Carvalho

Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

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