Esporte não é brincadeira – mas já foi

Esporte lembra saúde. Afinal, os médicos acreditam que estar sempre em movimento ajuda a ter uma vida mais saudável. Mas não foi sempre assim, sabia? Em meados do século 19, as práticas esportivas na cidade do Rio de Janeiro eram principalmente um jeito de divertir a população.

Há pouco mais de 200 anos, a família real portuguesa veio para a cidade, fugindo de guerras que estavam acontecendo na Europa. Junto com a corte, vieram para o Brasil muitos europeus, incluindo um grupo de origem britânica, que gostava de recriar aqui algumas atividades comuns em sua terra natal. Assim, esportes como críquete – jogado com bola e tacos – e corridas a cavalos, famosos na Inglaterra, começaram a fazer sucesso aqui também.

Derby Clube, área para corridas de cavalos situada no local onde hoje está o famoso Maracanã. (foto: Holland / Acervo George Ermakoff)

Derby Clube, área para corridas de cavalos situada no local onde hoje está o famoso Maracanã. (foto: Holland / Acervo George Ermakoff)

A primeira agremiação oficial de esportes do país foi o Clube das Corridas, fundado em 1849. “Lá se faziam apostas para saber qual era o cavalo mais rápido – todos queriam ir, de todos os setores da sociedade”, conta o historiador Victor Andrade de Melo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Rio chegou a ter nada menos cinco hipódromos ao mesmo tempo, tamanha a popularidade do esporte.

Por incrível que pareça, as touradas também foram comuns por aqui. Muitas arenas, que levavam o povo à loucura durante as competições, ficavam em locais que hoje são pontos turísticos dos cariocas, como o Campo de Santana, no centro da cidade. Por ser considerada cruel, essa prática foi banida em 1907 e segue proibida em muitos lugares.

Anúncio de Touradas (foto: <i>Gazeta de Notícias</i>, 4 de novembro de 1877)

Anúncio de Touradas (foto: Gazeta de Notícias, 4 de novembro de 1877)

Felizmente, os cariocas encontraram outros esportes para praticar. Um deles se tornou paixão nacional. Já sabe qual, né? O futebol, oras!

Essa modalidade esportiva chegou por aqui no início do século 20, também trazida por descendentes de britânicos que queriam popularizar ainda mais a prática de esportes. “Naquela época, era barato assistir a partidas e competições, mas era caro competir”, revela Victor. “No entanto, nada mais fácil do que arranjar uma bola e algumas pessoas com boa vontade chutar, não é mesmo? Foi por isso que o amor pelo futebol se espalhou tão rápido”.

Em meados do século 19, tempos de mudança na economia brasileira, a circulação de dinheiro na então capital do país aumentou. “Assim, o entretenimento acabou se tornando um novo e poderoso foco econômico: a dança, o teatro e o nosso querido esporte”, explica o historiador.

Sócios do Clube de Natação e Regatas nadando e remando na Praia de Santa Luzia. (foto: <i>Careta</i>, 21 de dezembro de 1912)

Sócios do Clube de Natação e Regatas nadando e remando na Praia de Santa Luzia. (foto: Careta, 21 de dezembro de 1912)

O povo pagava para se divertir assistindo ou praticando esportes, mas a saúde ficou em segundo plano até o final do século 19, quando alguns intelectuais passaram a promover atividades físicas como atitudes essenciais para quem quisesse ter hábitos saudáveis.

As novas ideias começaram a ser divulgadas em revistas e jornais e, aos poucos, a população começou a entender que a prática de esportes poderia contribuir muito para a saúde. Inicialmente, a modalidade mais valorizada para isso era a ginástica, vista como aliada nos cuidados com o corpo. Mas, depois, atividades como o remo e a patinação também se popularizaram. Hoje, sabemos que há muitas possibilidades de esportes para quem deseja levar uma vida saudável. Qual é a sua favorita?

Matéria publicada em 26.08.2015

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Valentina Leite

Sou apaixonada por cinema, sushi e praia. Adoro escrever, andar de bicicleta, cantar (no chuveiro) e conhecer pessoas novas! Quando pequena queria ser cientista, mas acabei escolhendo ser jornalista e agora escrevo sobre ciência.

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