Duas descobertas e um reencontro

Você já ouviu falar que a diversidade da fauna brasileira é imensa? Pois isso quer dizer que, no Brasil, existem muitos animais, diferentes uns dos outros. Tantos que volta e meia são encontradas novas espécies de bichos. A alegria de anunciar uma descoberta dessas, no entanto, só tem outra igual: a de avisar que uma espécie que estava sumida há tempos reapareceu! Mas o melhor você ainda não sabe: são essas duas notícias que os cientistas brasileiros têm para dar.

A espécie de rã que foi reencontrada é muito pequena: mede apenas 1,5 centímetro (foto: Alberto Carvalho)

Pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram que reencontram a rã Paratelmatobius gaigeae , uma espécie muito pequena, que mede apenas cerca de um centímetro e meio de comprimento. Em 1931, ela foi descoberta pelo cientista Adolpho Lutz, na Serra da Bocaina, que fica na divisa entre os estados de Rio de Janeiro e São Paulo. Desde então, ela nunca mais tinha sido vista!

A rãzinha – que foi achada no mesmo lugar em que Lutz a encontrou há mais de 70 anos – tem uma característica bem curiosa: sua barriga é colorida de vermelho com pontinhos brancos. Apesar de ser pouco vista, pois gosta de se esconder entre as folhas mortas do chão da mata, os cientistas não podem afirmar que ela é uma espécie rara. “O fato de indivíduos desta espécie não terem sido encontrados desde 1931 não caracteriza sua raridade. É muito provável que este animal seja difícil de ser localizado pela falta de trabalhos de campo e de análise que, muitas vezes, não são voltados para as espécies pequenas que vivem na mata”, explica José Pombal Jr., pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro que, junto com a equipe do Museu de Zoologia da USP, escreveu um artigo sobre esse animal.

Além desse reencontro, a equipe do Museu de Zoologia ainda descobriu uma nova espécie de anfíbio na Serra da Bocaina: uma rã, do gênero Hylodes , que costuma se esconder entre as nascentes do lugar. “Ela ainda não tem nome científico, mas está sendo estudada e já pode ser considerada como uma nova espécie”, afirma Celio Haddad, pesquisador da Universidade Estadual Paulista, que fica em Rio Claro, São Paulo, um dos envolvidos na pesquisa com o novo animal. A nova rã tem mais ou menos quatro centímetros de comprimento e seu coaxo soa melodioso, como o canto de algumas aves da floresta. Ao contrário da grande maioria das espécies, ela prefere o dia em vez de sair à noite.

A nova ave descoberta, o bicudinho-do-brejo-paulista, já é considerada uma espécie rara (foto: Edson Endrigo)

Já a outra novidade no mundo dos bichos chegou voando. É o bicudinho-do-brejo-paulista, um pequeno pássaro de apenas dez centímetros e nove gramas de peso que foi encontrada nos brejos – terrenos alagados – da região do Alto Tietê, em São Paulo. Os autores da descoberta são Dante Buzzetti, do Centro de Estudos Ornitológicos, e Luís Fábio Silveira, da Universidade de São Paulo.

A ave ainda está sendo descrita e, por isso, ainda não tem nome científico, contudo, o bicudinho-do-brejo-paulista já é considerado uma espécie rara. Quando a pesquisa estiver terminada, a ave poderá entrar para a lista oficial de animais ameaçados. “Nossos estudos indicam que a população dessas aves é muito pequena e está ameaçada pela degradação dos brejos”, afirma Silveira.

Essas são as novidades oficiais, mas existem ainda algumas espécies sendo estudadas. Por isso, as pesquisas não param. Há ainda muito para descobrir. Qual será o novo bicho brasileiro que os pesquisadores vão achar? Quer apostar?!

Matéria publicada em 24.06.2010

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Cathia Abreu

Adoro aprender coisas novas. Tenho a sorte de trabalhar me divertindo e fazendo descobertas todos os dias.

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