Coração de lata

Na famosa história do Mágico de Oz, do escritor norte-americano L. Frank Baum, um dos personagens é o enferrujado Homem de Lata, que sonha em ganhar um coração de verdade. Na notícia de hoje, os homens são de verdade, e o coração é que é de metal – um dispositivo desenvolvido por cientistas brasileiros para ajudar quem tem problemas nesse órgão.

A insuficiência cardíaca é um problema que afeta 6,5 milhões de pessoas no país e pode ter muitas causas diferentes (Foto: Pixabay)

A insuficiência cardíaca é um problema que afeta 6,5 milhões de pessoas no país e pode ter muitas causas diferentes (Foto: Pixabay)

É comum, na medicina, o uso de aparelhos para auxiliar funções como a respiração e a filtragem do sangue. A maioria dessas máquinas é externa ao corpo, e o paciente precisa ficar no hospital para usá-las. Já o coração artificial poderá ser implantado no peito do paciente, permitindo que ele tenha uma vida normal.

“Esse dispositivo pode auxiliar pessoas com insuficiência cardíaca – ou seja, pessoas cujo coração não consegue mais bombear a quantidade de sangue que o corpo humano precisa”, explica o médico Jarbas Dinkyuisen, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. “Nesses casos, o aparelho substitui um dos lados do coração e aumenta o tempo de vida do paciente, enquanto ele espera por um transplante”.

O coração artificial age como uma bomba: o sangue entra no coração humano por um lado e, em vez de passar pelo outro, segue pela bomba artificial, de onde é impulsionado para o resto do corpo. Segundo o engenheiro José Roberto Cardoso, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a ferramenta funciona com bateria elétrica, que pode ser recarregada através de um dispositivo que é colocado na pele do paciente.

O coração artificial foi testado do lado de fora do corpo de bezerros e apresentou bons resultados. Antes de ser testado em humanos, os cientistas vão trabalhar para diminuir o tamanho do dispositivo, que se aproxima de uma laranja, e torná-lo o mais silencioso possível (Foto: Oswaldo Horikawa)

O coração artificial foi testado do lado de fora do corpo de bezerros e apresentou bons resultados. Antes de ser testado em humanos, os cientistas vão trabalhar para diminuir o tamanho do dispositivo, que se aproxima de uma laranja, e torná-lo o mais silencioso possível (Foto: Oswaldo Horikawa)

Outros corações artificiais já foram desenvolvidos nos Estados Unidos e na Europa, mas o custo para trazê-los ao Brasil é muito alto. O modelo brasileiro foi testado do lado de fora do corpo de bezerros e conseguiu bons resultados – mas ainda falta bastante para que ele possa ser testado em humanos e chegue de fato aos hospitais do país. “Acreditamos que em cinco anos teremos um produto completamente confiável”, diz José Roberto.

Vamos torcer!

Matéria publicada em 09.09.2013

COMENTÁRIOS

Renata Fontanetto

Meu sonho é montar um museu super colorido, onde todas as brincadeiras de criança são permitidas! Amo fazer ciência em casa. No trabalho, então, é mais divertido ainda!

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