Colorido e nutritivo

Você já brincou de recortar fotos e montar um rosto com os olhos de uma pessoa, o nariz de outra e a boca de uma terceira? Os cientistas têm uma brincadeira parecida. Em vez de fotos, o que eles misturam são genes: é o chamado cruzamento genético.

Os genes são os códigos que fazem parte do nosso DNA e definem como os seres vivos são. No caso das frutas, definem sua cor, cheiro, gosto, tamanho, textura… Pensando na possibilidade de criar novos tipos de alimentos, um grupo de pesquisadores de Maricá, no Rio de Janeiro, fez o cruzamento genético de duas espécies de abacaxi.

O novo abacaxi, de coloração avermelhada, foi resultado da união de genes de duas espécies de abacaxi diferentes (Foto: Pedro Nahoum/Botânica Pop)

O novo abacaxi, de coloração avermelhada, foi resultado da união de genes de duas espécies de abacaxi diferentes (Foto: Pedro Nahoum/Botânica Pop)

A primeira é o abacaxi comum (Ananas comosus) – aquele que comemos e usamos para fazer suco. A segunda, o abacaxi-ornamental (Ananas bracteatus), um fruto vermelho não comestível usado como decoração.

O botânico Pedro Nahoum, da empresa Botânica Pop, responsável pelo projeto, conta que o cruzamento é feito retirando o pólen de uma das espécies e colocando em outra. O resultado foi um abacaxi avermelhado, com o sabor característico da fruta. Ele tem a polpa formada por gomos – como uma pinha – e a casca mais fina e rica em nutrientes.

“A casca da nova fruta tem muitos flavonoides, um grupo de compostos químicos que ajudam na absorção de vitamina C pelo organismo”, conta Pedro. “São eles que dão essa cor avermelhada ao fruto”.

O puã é formado por gomos que facilitam o consumo, assim como os abacaxis ornamentais, que não são comestíveis (Foto: Pedro Nahoum/Botânica Pop)

O puã é formado por gomos que facilitam o consumo, assim como os abacaxis ornamentais, que não são comestíveis (Foto: Pedro Nahoum/Botânica Pop)

Como o nosso corpo não consegue produzir flavonoides sozinho, precisamos ingeri-lo pelos alimentos, e o novo abacaxi – batizado de puã – pode ser uma fonte deliciosa dessa substância.

Na nova fruta, os flavonoides se concentram na casca. Como ela é mais fina que a do abacaxi comum, pode ser usada para fazer sucos, doces e outras receitas. “Queremos que a casca seja a parte principal dessa fruta”, conta o seu inventor.

A novidade ainda está nos laboratórios, mas deve chegar aos mercados em 2015. Você gostaria de provar?

Matéria publicada em 20.11.2013

COMENTÁRIOS

Camille-Dornelles

Quando criança, gostava de fazer experimentos dentro de casa e explorar o mundo. Hoje, na CHC, me sinto brincando de cientista e trabalhando como jornalista ao mesmo tempo.

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