Cinema nas cavernas

O cinema, costumamos dizer, surgiu no século 19. A CHC 47, em 1995, até publicou um texto comemorativo sobre os 100 anos dessa invenção incrível! Mas, embora você possa achar que 100 anos sejam muito tempo, pesquisas indicam que homens pré-históricos já faziam cinema há 30 mil anos – do seu jeito, é claro. A técnica consistia em fazer desenhos nas paredes das cavernas e, com um jogo de luz e sombra, dar a impressão de movimento.

O estranho bisão de oito patas encontrado nas paredes de uma caverna seria, na verdade, a sobreposição de imagens do animal em duas posições diferentes, para passar a ideia de um movimento (Foto: Reprodução/ Marc Azéma)

Como você sabe, o cinema é uma espécie de ‘ilusão de ótica’, em que muitas imagens são colocadas em sequência e transmitidas numa velocidade bem rápida, de modo a enganar o olho humano e dar a impressão de movimento. Cientistas da Universidade de Toulouse, na França, passaram vinte anos estudando as figuras deixadas nas rochas por nossos antepassados e chegaram à conclusão de que algo muito parecido era feito na pré-história. Os homens da Idade da Pedra pintavam diversas imagens de animais em posições diferentes e deixavam a ilusão de ótica por conta das chamas das tochas.

Como a luz produzida pelo fogo é fraca e trêmula, era possível ter a impressão de que os desenhos estavam se movendo pela parede. O arqueólogo Marc Azéma, que liderou o estudo, fez uma animação que simula o movimento das pinturas rupestres. Confira:

Isso explicaria algumas imagens estranhas já encontradas nas cavernas. Por exemplo, o bisão de oito patas seria, na verdade, a sobreposição de imagens do animal em duas posições diferentes, para dar a impressão de que ele estava andando. O mesmo raciocínio se aplicaria às representações relativamente comuns em desenhos rupestres de animais com várias cabeças e membros.

Agora você sabe que já era possível curtir um cineminha nas cavernas há milhares de anos. Depois disso, só faltava mesmo inventar a pipoca – o que também aconteceu bem antes do nosso tempo

Matéria publicada em 21.01.2013

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Thiago-Camelo

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