Calcule a sujeira

Construir castelos de areia e dar aquele mergulho refrescante no mar é tudo que queremos em um dia quente de verão, não é mesmo? Mas às vezes um passeio na praia acaba nos levando a uma triste constatação: nossos oceanos estão ficando cheios de lixo.

Quer um exemplo assustador disso? Talvez você não saiba, mas bem no meio do Oceano Pacífico existe uma enorme concentração de milhares de partículas de plástico, a chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico. E isso não é tudo: cientistas australianos, preocupados com a situação de nossos mares, desenvolveram um modelo matemático que localizou outras quatro grandes áreas como essa ao redor do mundo!

Olhando assim, o oceano parece limpo, mas esconde as cinco chamadas grandes manchas de lixo, constituídas de pequenas partículas de plástico quase impossíveis de serem vistas à olho nu. (foto: Stefan L / Flickr / <a href= https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/>CC BY-NC-SA 2.0</a>)

Olhando assim, o oceano parece limpo, mas esconde as cinco chamadas grandes manchas de lixo, constituídas de pequenas partículas de plástico quase impossíveis de serem vistas à olho nu. (foto: Stefan L / Flickr / CC BY-NC-SA 2.0)

O oceanógrafo Erik Van Sebille, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, um dos participantes do estudo, conta que é muito difícil perceber as manchas a olho nu, pois o sol e as ondas quebram o plástico em partículas muito pequenas. Mesmo assim, eles ainda representam um perigo à vida marinha.

“Os pequenos peixes e aves podem comer esse material, o que pode trazer uma série de efeitos nocivos para sua saúde”, explica. “Muitas vezes, por exemplo, essas partículas contêm toxinas que podem até matar os animais”.

Matemática das águas

Você deve estar se perguntando: e onde a matemática entra nessa história? Para entender melhor, você precisa saber que os pesquisadores se basearam em um sistema já existente que simula correntes marítimas.

O biólogo Erik Van Sebille foi um dos responsáveis por rastrear quatro manchas de lixo no oceano. (foto: Erik Van Sebille / Universidade Nova Gales do Sul)

O biólogo Erik Van Sebille foi um dos responsáveis por rastrear quatro manchas de lixo no oceano. (foto: Erik Van Sebille / Universidade Nova Gales do Sul)

“O sistema acumula dados sobre a trajetória de objetos largados em áreas costeiras de todo o mundo e levados pelas correntes marítimas a destinos longínquos” conta o oceanógrafo da Universidade Federal Fluminense André Belém. “Depois de anos recolhendo dados, ele permite visualizar o funcionamento de uma corrente marítima e entender a dinâmica de deslocamento dos objetos carregados por elas.”

Embora não tenha participado do estudo, André explica que os australianos usaram o conhecimento acumulado sobre as correntes oceânicas para determinar a probabilidade de um objeto jogado no mar numa determinada área parar em outro determinado local. Com isso, perceberam a tendência de acúmulo de lixo plástico em cinco áreas dos oceanos – as tais grandes manchas.

“Essa concentração é influenciada pela existência dos chamados giros oceânicos, correntes marinhas rotativas, como grandes redemoinhos, que acabam concentrando materiais em seu centro”, explica Erik.

Descobrir a localização das manchas de lixo, no entanto, é apenas o primeiro passo para impedir que o oceano continue a ser poluído: o modelo também permite rastrear a sujeira de volta à sua origem e, assim, ajudar no desenvolvimento de estratégias e políticas que evitem o aumento da poluição.

Matéria publicada em 15.10.2014

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Isabelle Carvalho

Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

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