Um mensageiro a caminho de Mercúrio

Quando você estiver lendo esse artigo, uma missão da agência espacial norte-americana (Nasa) estará em pleno espaço a caminho de Mercúrio. Uma sonda chamada Messenger (’mensageiro’ em português) foi lançada em julho e deve chegar a esse planeta em 2011, após passar pela Terra e por Vênus.

O foguete que está levando a Messenger ao planeta Mercúrio foi lançado em 3 de agosto (imagens: Nasa)

A missão Messenger representa mais um passo da astronáutica — a ciência que estuda e planeja as viagens espaciais — para aumentar o conhecimento humano sobre o Sistema Solar. E Mercúrio é a ’bola da vez’! A única sonda espacial que já visitou e estudou esse planeta foi a Mariner 10, entre 1974 e 1975. Mas existem ainda muitas questões desconhecidas e perguntas não respondidas sobre Mercúrio, que a Messenger vai ajudar a responder!

 ‘Messenger’ quer dizer ‘mensageiro’ em português, mas é também uma abreviatura para o nome técnico da sonda, que significa algo como “Missão para o conhecimento da superfície, do ambiente espacial e da geoquímica de Mercúrio”. Mas o nome da sonda representa ainda o trocadilho com o nome de uma figura mitológica: o deus Mercúrio (ou Hermes, como era chamado pelos gregos), que era conhecido, entre outros, como o mensageiro dos deuses!

Para dar uma volta em torno do Sol, Mercúrio leva 88 dias, ou seja, o ano lá equivale a 88 dias terrestres. O mais interessante é que ele demora muito — um pouco mais de 58 dias — para completar uma volta em torno de si mesmo. O movimento de rotação, vale lembrar, é o responsável pela existência do dia e da noite! Em Mercúrio, isso cria um fenômeno curioso: o planeta dá duas voltas em torno do Sol para completar três em torno do seu eixo, ou seja, dois anos em Mercúrio equivalem a cerca de três dias!

A montagem acima reúne 18 fotos da superfície de Mercúrio tiradas em março de 1974 pela sonda Mariner 10, quando ela se aproximou desse planeta.

Mercúrio é o segundo menor planeta do Sistema Solar, atrás de Plutão. Ele é duas vezes e meia menor que a Terra. Uma das características que mais chama a atenção nesse planeta é a grande variação de temperatura em sua superfície (é a maior de todo o Sistema Solar). Durante o dia mercuriano, a temperatura pode chegar a 450°C, mas quando vem à noite… O termômetro pode baixar até 180°C abaixo de zero!

Isso acontece porque Mercúrio não possui uma atmosfera suficiente para reter em sua superfície o calor gerado pelo Sol. Durante o dia, a luz do Sol aquece o planeta, mas à noite todo o calor é perdido para o espaço.

Outro aspecto surpreendente de Mercúrio é seu núcleo, que ocupa quase 70% do planeta. Isso significa que, se estivéssemos em sua superfície e começássemos a cavar, não demoraríamos muito para encontrar o material que compõe seu núcleo. Por isso, Mercúrio apresenta uma densidade muito alta, uma das maiores do Sistema Solar.

Mercúrio é ainda, ao lado da Terra, o único planeta que apresenta um campo magnético global, isto é, que envolve todo o planeta. Esse campo magnético age de forma a produzir uma espécie de “escudo” chamado magnetosfera. Os cientistas não sabem ao certo qual a origem desse escudo. Existem várias teorias, mas será necessário esperar as observações da Messenger para, quem sabe, se chegar alguma conclusão.

O desenho acima, feito por um artista, tenta imaginar como vai ser a aproximação da sonda Messenger do planeta Mercúrio

Por fim, é interessante notar que Mercúrio gira em torno do Sol em uma órbita bastante peculiar. Como esse planeta está muito próximo do Sol — “apenas” 58 milhões de quilômetros –, sua órbita é perturbada pela gravidade do astro-rei. Para tentarmos descrever de um modo simples, é como se, durante seu giro em torno do Sol, Mercúrio sofresse uma pequena variação na sua trajetória quando está próximo da nossa estrela.

Por todos esses aspectos peculiares, é importante estudarmos Mercúrio. Entender seu funcionamento e a maneira como ele se formou vai nos ajudar a compreender a constituição da nossa própria Terra: afinal, ambos fazem parte do grupo dos chamados planetas rochosos, que incluem ainda Vênus e Marte.

Diego “Moicano” Gonçalves
Especial para Instituto Ciência Hoje/RJ

 

Matéria publicada em 10.08.2004

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