Silva, Leão, Oliveira…

Como você se chama? Provavelmente tem um primeiro nome que é só seu, e um sobrenome que divide com seus pais. Seu pai e sua mãe, por sua vez, trouxeram os sobrenomes dos seus avós, que os herdaram dos seus bisavós, e assim por diante. Mas de onde, afinal, vieram os sobrenomes que hoje são comuns nas famílias brasileiras?

Varela, Aragão, Braga, Valadares e Lamas eram nomes de cidades ou regiões que identificavam os que lá nasceram, passando a funcionar, com o tempo, como sobrenomes (Ilustração: Rogério Coelho)

Varela, Aragão, Braga, Valadares e Lamas eram nomes de cidades ou regiões que identificavam os que lá nasceram, passando a funcionar, com o tempo, como sobrenomes (Ilustração: Rogério Coelho)

A maior parte dos sobrenomes que circulam no Brasil é de origem portuguesa e chegou aqui com os colonizadores. A maioria tem origem geográfica. Ou seja: no local em que a pessoa nasceu ou em que morava. Desta forma, Guilherme, nascido ou vindo da cidade portuguesa de Coimbra, passou a ser Guilherme Coimbra.

Alguns sobrenomes não se referem a localidades, mas a simples propriedades rurais de onde um determinado tipo de plantação era privilegiado. Por exemplo, os moradores de uma quinta em que se cultivavam oliveiras passaram a ser conhecimento como Oliveira, o mesmo acontecendo com Pereira, Macieira e tantos outros.

Outra origem de sobrenomes foram as alcunhas, ou apelidos, atribuídos a uma pessoa para identificá-la e que, depois, se incorporava a seu nome como se dele fizesse parte. É o caso de Louro, Calvo e Severo, por exemplo. Muitos nomes de família se originaram, também, de nomes de animais, fosse por traços de semelhança física ou de características de temperamento: Lobo, Carneiro, Aranha, Leão e Canário são alguns deles.

Também por derivação foi possível formar sobrenomes. Fernandes, por exemplo, seria, na origem, o filho de Fernando; assim como Rodrigues, o filho de Rodrigo; Álvares, o de Álvaro.

Negros, índios e Silvas

Negros africanos, que vieram para o Brasil como escravos, e dos quais tantos de nós descendemos, foram obrigados a deixar para trás seu passado, seu nome e a identificação de sua origem tribal.

Aqui foram batizados com um nome cristão e os sobrenomes que recebiam muitas vezes eram os mesmos de seus senhores. Quando isso não ocorria, os senhores lhes davam sobrenomes de origem religiosa, como Batista, de Jesus, do Espírito Santo.

Também o leigo “da Silva” (silva em latim, é selva, o que significa que a pessoa assim denominada tinha origem imprecisa, não se sabia ao certo de que cidade ou região ela procedia) foi fartamente atribuído àqueles que não traziam consigo um nome de família. Não é, portanto, por acaso que Silva é hoje no Brasil o sobrenome mais comum, aquele usado pelo maior número de cidadãos.

(Esta é uma reedição do texto publicado na CHC 136.)

Matéria publicada em 29.11.2013

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Adorei saber mais sobre os sobrenomes!

    Publicado em 25 de novembro de 2018 Responder

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Raquel Teixeira Valença

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