Ser ou não ser… um planeta!

Quem sabe dizer quantos planetas existem no Sistema Solar? Isso mesmo: o Sistema Solar, onde se encontram a Terra e os outros planetas que giram em torno da nossa estrela — o Sol. Então, quem sabe responder quantos são? Hummm… Vamos lá, em ordem de distância do Sol, a começar pelo mais próximo: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão… e Sedna! Opa! Sedna!? Com esse, temos dez planetas… Mas não eram nove?! Que confusão!… Vamos então tentar resolver essa questão.

No desenho acima, um artista tentou imaginar como deve ser Sedna. O ponto amarelo à direita é o Sol: devido à grande distância, ele aparece pouco maior que uma estrela qualquer

Em novembro de 2003, dois astrônomos, Chad Trujillo e David Rabinowitz, usando um grande telescópio, descobriram um pequeno ponto perdido numa região bemmm longínqua do Sistema Solar. Depois de várias confirmações que apontaram a existência desse pequeno ponto, ele foi batizado com o nome de Sedna.

Mas por que esse nome? Sedna é uma deusa mitológica do mar segundo contam os esquimós — aqueles povos que vivem no gelo, bem no norte do continente americano, e andam sempre agasalhados. Eles também têm suas lendas, e uma delas diz que uma jovem e seu pai estavam atravessando o mar gelado quando uma voz chamou a filha. Ela se atirou então ao mar, atrás daquela linda voz. Seu pai desesperadamente pulou também para salvá-la.

Como a jovem insistiu em ir ao encontro da voz, seu pai decidiu se afogar levando a filha consigo, cortando os dedos dela que agarravam-na ao barco! Dos dedos nasceram todas as criaturas do mar, e a filha, cujo nome era Sedna, virou a deusa protetora dos mares, que vive no fundo gelado do Oceano Ártico. Como o novo astro descoberto também é extremamente frio (suas temperaturas podem passar de 200 graus negativos!), os astrônomos tiveram a idéia de dar a ele o nome de Sedna.

 

Sedna foi descoberto graças a imagens captadas pelo Telescópio Espacial Spitzer, representado acima (imagens: Nasa/JPL-Caltech).

Mas voltando à descoberta dos nossos amigos cientistas: Sedna está muito distante do Sol, a cerca de 13 bilhões de quilômetros! Para você ter uma idéia, isso equivale a cerca de 90 vezes a distância entre a Terra e o Sol! Esse novo astro tornou-se o centro de uma polêmica: afinal, ele é ou não o décimo planeta do Sistema Solar?

Para ser considerado um planeta, um astro deve ter algumas características, e o tamanho é a principal delas. Sedna é muito pequeno: seu diâmetro é a metade do da nossa Lua, com cerca de 1,3 mil a 1,8 mil quilômetros (o diâmetro é a distância de uma “ponta” a outra de um círculo ou esfera). As observações indicam que Sedna é avermelhado e possui um satélite natural, como a Lua, só que bem menor.

Ainda existe muita discussão sobre Sedna, e sua descoberta levanta dúvidas até sobre o conhecido Plutão: como ele é muito pequeno também, há cientistas que questionam se ele deveria ser considerado um planeta.

Mas, por ora, se alguém perguntar para vocês quantos planetas existem no Sistema Solar, a resposta continua sendo nove: Sedna não é considerado um planeta, e Plutão mantém sua antiga classificação. Vamos esperar a decisão da comunidade científica antes de espalharmos a novidade!

O autor do artigo acima é membro do Centro de Estudos do Universo (CEU), iniciativa dedicada à divulgação e ao ensino da astronomia, e editor do Boletim Centaurus, que traz textos de divulgação escritos pela equipe de professores do CEU e convidados.

Criado no ano 2000 na cidade de Brotas (SP), o CEU tem uma área de 4000 m2 com infra-estrutura para receber grupos escolares e o público em geral. O centro dispõe de um observatório com um grande telescópio, uma laje de observação com telescópios menores, um planetário com três tipos de sessões (uma especialmente para crianças), um teatro de arena para apresentações ao ar livre, um anfiteatro para apresentações multimídia e uma base de lançamento de mini-foguetes.

Matéria publicada em 11.06.2004

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Hoje em dia só são 8 planetas!

    Publicado em 13 de janeiro de 2019 Responder

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